
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nessa terça-feira (13), a apenas 12 dias do segundo turno da eleição presidencial, a intenção de ampliar o programa Pé-de-Meia para estudantes universitários caso conquiste um novo mandato.
A promessa prevê pagamentos de R$ 700 mensais durante dez meses e um custo estimado de R$ 4,6 bilhões, com recursos do Fundo Social do Petróleo.
A medida foi apresentada em vídeo publicado nas redes sociais e, segundo Camilo Santana, ex-ministro da Educação e coordenador da campanha petista, deverá contemplar alunos de universidades públicas e beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni).
“no próximo governo”, afirmou Lula ao se referir à implementação da iniciativa, condicionada à sua reeleição.
O anúncio, feito na reta final da disputa eleitoral, amplia a lista de promessas e medidas de apelo populista apresentadas pelo petista durante a campanha.
Na gravação, Lula detalhou a proposta de incentivo financeiro aos universitários. “No final do ano nós depositaremos R$ 2.500. Como o curso é quatro anos, dá R$ 10.000. Quando ele se formar, ele vai ter R$ 10.000 para começar a sua iniciação profissional. Esse é o Brasil do Futuro dos nossos estudantes. Um abraço e viva o pé-de-meia”, disse Lula.
A iniciativa levanta questionamentos sobre a oportunidade do anúncio e a capacidade de financiamento de novas despesas públicas em um cenário de deterioração das contas do governo.
A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central. O indicador aumentou 4,2 pontos percentuais apenas nos oito primeiros meses deste ano.
Embora o governo indique uma fonte de recursos para bancar a ampliação, a previsão de gastos de R$ 4,6 bilhões não elimina o debate sobre prioridades orçamentárias, sustentabilidade fiscal e o impacto de novos compromissos permanentes ou recorrentes sobre as contas públicas.
O anúncio tampouco detalha, no material divulgado, como o programa será estruturado para atender os beneficiários ao longo dos anos.
Criado em 2024, o Pé-de-Meia foi inicialmente destinado a estudantes do ensino médio da rede pública inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
O programa oferece pagamento mensal de R$ 200 para estimular a permanência na escola, além de depósitos de R$ 1.000 ao final de cada ano letivo concluído. O valor acumulado só pode ser sacado após a conclusão do ensino médio.
Em janeiro de 2025, o governo estendeu a política a estudantes de licenciatura, com incentivo de R$ 700 por mês. A modalidade também prevê depósitos mensais de R$ 350, que podem ser resgatados após a conclusão do curso, desde que o beneficiário ingresse como professor na rede pública de educação básica.
O anúncio para universitários ocorre paralelamente à mobilização de entidades estudantis em favor da reeleição de Lula.
Nos últimos dias, movimentos ligados ao setor promoveram manifestações em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras capitais, com pautas em defesa da democracia e críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). A União Nacional dos Estudantes (UNE) comemorou a proposta em publicação nas redes sociais.
A promessa também se soma a outras iniciativas anunciadas por Lula desde o primeiro turno, entre elas um decreto para zerar tributos sobre a gasolina, um pacote voltado à renegociação de dívidas de microempreendedores, o aumento do Bolsa Família e a medida provisória relacionada ao mercado de apostas. (Foto: EBC; Fonte: UOL)
