
A inflação voltou a pesar com mais intensidade sobre as famílias de menor renda no Brasil em maio. Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a alta de preços no grupo de renda muito baixa chegou a 0,83% no mês, pressionada principalmente pelo encarecimento dos alimentos consumidos em casa e pelo aumento da conta de energia elétrica.
Embora o índice tenha mostrado leve desaceleração em relação a abril, quando havia registrado 0,92%, ele permaneceu como o mais elevado entre todas as faixas de renda analisadas pelo instituto pelo segundo mês consecutivo. O estudo do Ipea divide a população em seis grupos de renda e acompanha o impacto da inflação em cada um deles.
Na comparação com as famílias de renda alta, a diferença é expressiva. Enquanto os domicílios mais pobres tiveram inflação de 0,83%, o grupo de maior renda registrou alta de 0,38% em maio — menos da metade. Em abril, essa disparidade foi ainda maior, com os mais pobres enfrentando uma inflação quase quatro vezes superior à dos mais ricos.
De acordo com o levantamento, a pressão veio sobretudo da alimentação no domicílio, que subiu 1,65%, e do reajuste da energia elétrica, com alta de 3,67%. Esses itens têm maior peso no orçamento das famílias de menor renda, o que explica o impacto mais forte sobre esse grupo.
O Ipea destaca que a estrutura de consumo também ajuda a entender a diferença: famílias de baixa renda concentram gastos em itens essenciais, como comida e energia, enquanto as de renda mais alta possuem uma cesta mais diversificada, o que dilui os efeitos da inflação.
No grupo de renda muito baixa, o rendimento mensal é inferior a R$ 2.299,82, enquanto no grupo de renda alta supera R$ 22.998,22.
No acumulado de 2026 até maio, a inflação segue mais elevada entre os mais pobres, com alta de 3,46%, enquanto entre os mais ricos o índice é de 2,83%.
Já no recorte de 12 meses, o cenário se inverte: as famílias de renda alta apresentam a maior variação, de 5,26%, influenciadas por itens como serviços de transporte, enquanto a renda muito baixa acumula 4,29%.
O comportamento dos preços gerais também ajuda a contextualizar o quadro. O IPCA avançou 0,58% em maio, com forte pressão dos alimentos, que tiveram a maior alta para o mês desde 2008. Já itens como combustíveis e medicamentos contribuíram para conter parte da inflação no período.
O cenário econômico ainda levanta atenção para os próximos meses, diante de fatores climáticos como o El Niño, que pode afetar a produção agrícola e, consequentemente, os preços dos alimentos.
Para o Ipea, isso pode manter a inflação pressionada, especialmente para as famílias de menor renda, que seguem sendo as mais sensíveis às variações dos preços essenciais. E mais: Confira as 20 picapes campeãs de vendas até maio de 2026. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)
