O pastor Silas Malafaia aconselhou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a escolher uma mulher nordestina e não evangélica para ocupar a vaga de vice em uma eventual candidatura presidencial em 2026. Segundo ele, a estratégia teria como objetivo ampliar a capacidade de atração de votos da chapa, especialmente em regiões onde o bolsonarismo enfrenta maior resistência.

Malafaia afirmou que apresentou diretamente ao senador a ideia de buscar uma candidata com forte identificação regional. “Falei para o Flávio: você precisa escolher uma mulher do Nordeste”, declarou o pastor.

A sugestão, segundo ele, vai além da origem geográfica. O líder religioso defende uma candidata que tenha ligação cultural com a região, uma “nordestina raiz”, e que também esteja fora do segmento evangélico, para evitar que a chapa fique concentrada em um único grupo de eleitores.

Na avaliação de Malafaia, a escolha teria dois objetivos principais: reduzir a resistência ao bolsonarismo no Nordeste, região considerada estratégica nas eleições nacionais, e apresentar uma imagem mais ampla do senador ao eleitorado.

“Eu disse para ele: ‘Essa escolha mostra que você é um cara de família, que não rejeita a mulher’”, afirmou o pastor ao explicar sua visão sobre o impacto político da composição.

Malafaia também argumenta que uma chapa formada por dois representantes evangélicos poderia limitar o alcance da candidatura. “Que não seja evangélica, porque Flávio já é evangélico”, disse, defendendo que a vice represente outros setores da sociedade.

O pastor descartou ainda nomes ligados ao agronegócio ou ao setor empresarial. Para ele, candidatos com esse perfil não acrescentariam novos votos à candidatura do senador. Na avaliação de Malafaia, representantes dessas áreas “não vão somar” eleitoralmente.

A declaração atinge indiretamente algumas possíveis cotadas para a vaga, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ligada ao setor ruralista, e Daniella Marques (Republicanos-SP), ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-integrante da equipe econômica do governo Bolsonaro. Embora sejam mencionadas nos bastidores, ambas não se encaixariam no perfil defendido pelo pastor.

A estratégia apresentada por Malafaia prioriza identidade política e representação regional, em vez de experiência administrativa ou apoio de setores econômicos organizados. Para ele, a eleição de 2026 exigirá símbolos capazes de alcançar eleitores fora das bases tradicionais do bolsonarismo.

O pastor também relembrou sua atuação durante a formação da chapa de Jair Bolsonaro em 2022. Segundo Malafaia, um mês antes da convenção presidencial daquele ano, ele esteve no Palácio do Planalto e tentou convencer o então presidente a escolher um vice nordestino.

Na ocasião, Malafaia defendia o nome do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, pernambucano. Bolsonaro, porém, optou pela manutenção do general Walter Braga Netto como candidato a vice.

O pastor afirmou que reconhecia qualidades no militar, a quem chamou de “cara decente, um brasileiro fenomenal”, mas avaliava que ele não agregaria votos à campanha. Segundo Malafaia, a decisão já estava tomada no dia da convenção e Bolsonaro não alterou a composição da chapa.

A derrota eleitoral de 2022 passou a ser usada pelo pastor como argumento para reforçar sua tese de que a escolha de um vice deve considerar principalmente o impacto nas urnas, e não apenas critérios de confiança pessoal ou proximidade política.

Agora, ao aconselhar Flávio Bolsonaro, Malafaia defende uma estratégia semelhante, mas com mudanças no perfil: uma mulher, nordestina e fora do segmento evangélico, na tentativa de ampliar a coalizão eleitoral para a disputa presidencial de 2026. E mais: Imóveis novos ficam 10% mais caros nos últimos 12 meses. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: O Globo)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *