
O Governo Federal definiu para o dia 4 de agosto, às 10h, o leilão da área onde funciona o CT Rei Pelé, centro de treinamento utilizado pelo Santos Futebol Clube. O terreno, localizado no bairro Jabaquara, em Santos, possui aproximadamente 39 mil metros quadrados e entrará em disputa com lance inicial de R$ 79,76 milhões.
Pertencente à União, a área é utilizada pelo clube desde os anos 1990 por meio de cessão federal. Desde o ano passado, a diretoria santista busca adquirir definitivamente o imóvel para garantir a permanência de suas atividades no local.
O processo de alienação foi iniciado em julho de 2025, quando a Secretaria do Patrimônio da União autorizou oficialmente a venda do terreno por meio de licitação pública. Como se trata de um bem federal, a legislação exige que a negociação ocorra em um leilão aberto.
Apesar da concorrência, o Santos possui uma vantagem prevista no Programa de Aquisição de Imóveis (PAI). O clube formalizou interesse na compra e terá o direito de igualar a maior proposta apresentada durante o certame. Na prática, caso outro participante ofereça o maior lance, a equipe poderá cobrir a oferta e ficar com o imóvel.
Se optar por não exercer essa preferência, o clube ainda poderá buscar compensação financeira pelas melhorias realizadas ao longo dos anos no complexo esportivo.
A manutenção do CT Rei Pelé é considerada prioridade pela atual gestão. Além de abrigar treinamentos das categorias de base e do futebol feminino, o local recebeu investimentos recentes em infraestrutura e modernização.
A venda da área também está sendo acompanhada pelo Ministério Público Federal. Em 2025, o órgão abriu um procedimento para verificar supostas irregularidades na condução do processo e investigar eventual favorecimento ao Santos durante a preparação da licitação.
A apuração teve início após declarações do ex-deputado federal Bozzella Júnior, que atua como assessor especial da presidência do clube. Ele afirmou ter participado de tratativas junto a órgãos federais relacionadas ao cronograma do leilão e à busca de alternativas para financiar a aquisição da área.
Na ocasião, o MPF solicitou informações a diversos órgãos públicos, incluindo a SPU, a Caixa Econômica Federal, a Controladoria-Geral da União, a Prefeitura de Santos, a Câmara Municipal e o próprio clube.
O Santos nega qualquer tipo de favorecimento e sustenta que todas as etapas foram conduzidas dentro das exigências legais, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.
Além das discussões sobre a venda, dados do portal federal de imóveis da União apontam a existência de débitos vinculados ao terreno. Entre eles, constam uma pendência de R$ 27,3 mil referente ao IPTU dos anos de 2007 e 2008, além de pouco mais de R$ 1 mil relativos à taxa de remoção de lixo de 2025. O sistema também registra aproximadamente R$ 232,9 mil em débitos de IPTU classificados como inexigíveis. E mais: Delação de Vorcaro não acusava Moraes de crimes. Clique AQUI para ver. (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC; Fonte: UOL)
