A nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reforça a versão de que os contratos firmados entre a instituição financeira e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes tiveram caráter legal e não envolveram qualquer irregularidade. A informação é da colunista Natália Portinari, do portal UOL.

No documento entregue às autoridades neste mês, Vorcaro acrescentou informações sobre um acordo firmado com o escritório de Viviane Barci de Moraes, avaliado em R$ 129 milhões. Segundo a narrativa apresentada, o contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos. A delação também menciona um segundo compromisso, estimado em R$ 50 milhões, que teria sido concebido para antecipar os valores restantes antes da liquidação do banco em 2025, mas que nunca chegou a ser formalizado.

Com a intervenção e posterior liquidação da instituição pelo Banco Central, os pagamentos efetivamente realizados ao escritório teriam somado cerca de R$ 80,2 milhões.

De acordo com a colunista, tanto a primeira quanto a segunda versão da delação classificam esse trecho como um chamado “anexo negativo” — modalidade em que o colaborador relata fatos para sustentar que determinada pessoa não praticou irregularidades.

Na versão apresentada por Vorcaro, não houve favorecimento, contrapartida ou qualquer ato praticado por Alexandre de Moraes em troca dos pagamentos efetuados à sua esposa, que, segundo ele, recebeu pelos serviços jurídicos prestados.

Apesar do detalhamento adicional, a proposta continua enfrentando resistência dentro da Polícia Federal. Investigadores avaliam que o material acrescenta poucas informações relevantes em comparação com o conteúdo já obtido durante a investigação e consideram que o ex-banqueiro não admite parte significativa dos crimes apurados. Hoje, a colunista Mônica Bergamo revelou que esta proposta será rejeitada. Clique AQUI para ver.

A expectativa agora recai sobre a decisão da Procuradoria-Geral da República, que deve definir nos próximos dias se mantém as negociações, rejeita a proposta ou aceita os termos apresentados. Mesmo diante da posição crítica da PF, a PGR ainda pode optar por seguir discutindo um eventual acordo de colaboração.

O caso ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro. Segundo reportagem de O Globo, o empresário teria enviado comunicações a Alexandre de Moraes antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025. Em uma das mensagens, questionava se o ministro havia conseguido impedir alguma medida que estaria em andamento. Moraes, por sua vez, afirmou não ter recebido os conteúdos citados.

A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que informações sigilosas sobre a ordem de prisão e sobre a liquidação do Banco Master possam ter chegado ao ex-banqueiro antes da execução das medidas. Essas circunstâncias seguem sendo analisadas pelas autoridades.

Além das discussões sobre o conteúdo da delação, investigadores também avaliam a viabilidade de eventual ressarcimento financeiro. Estimativas apontam prejuízos bilionários ligados ao caso, mas a discussão sobre recuperação de valores só deverá avançar se a colaboração for considerada consistente e suficiente para justificar um acordo formal. (Foto: STF)

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