
O anúncio da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais foi acompanhada por uma forte revisão para pior das expectativas do mercado financeiro para a inflação brasileira.
Um levantamento realizado pela corretora BGC Liquidez, com aproximadamente 30 participantes do mercado, identificou uma elevação expressiva nas projeções para os próximos anos.
Pela mediana das estimativas, que reduz a influência de previsões muito acima ou abaixo das demais, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá alcançar 5,3% em 2027. Para o encerramento de 2028, a expectativa dos analistas é de inflação acumulada de 4,3%.
Os números representam uma deterioração em relação ao levantamento Focus divulgado pelo Banco Central antes do segundo turno. Naquela pesquisa, as projeções indicavam alta de 4,34% para o IPCA em 2027 e de 3,75% em 2028.
O cenário chama a atenção porque a meta oficial de inflação está estabelecida em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O levantamento da BGC Liquidez reúne gestores e profissionais responsáveis pela tesouraria de instituições financeiras, um grupo que costuma atualizar suas previsões com maior rapidez.
Por esse motivo, a pesquisa frequentemente antecipa em cerca de duas semanas os movimentos registrados no boletim Focus, que também considera especialistas com revisões mais demoradas. A próxima edição do relatório do Banco Central está prevista para terça-feira (3).
Entre os fatores apontados para a pressão inflacionária está o comportamento dos preços administrados, especialmente os combustíveis.
Gasolina e diesel são considerados componentes importantes dessas despesas e podem sofrer reajustes no mercado interno diante de uma eventual desvalorização do real.
Outro elemento de preocupação para os agentes econômicos é a situação das contas públicas. A previsão do governo Lula é encerrar este ano com um déficit de R$ 67,3 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado contribui para o aumento da dívida bruta brasileira.
O cenário também influencia as perspectivas para a política monetária. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
Antes da definição eleitoral, a expectativa predominante era de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzisse a Selic para 13,25% até o encerramento de 2026. E mais: Lula chama representante da Argentina para explicar viagem de Flávio. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)
