A China realizou nesta sexta-feira (10) o primeiro teste bem-sucedido de recuperação de um foguete de classe orbital utilizando uma plataforma marítima equipada com uma rede de captura. O feito representa um avanço na busca do país asiático por tecnologias de reutilização de veículos espaciais, uma estratégia já adotada pela SpaceX, empresa de Elon Musk.

O teste envolveu o foguete Longa Marcha 10B, lançado a partir do centro espacial comercial de Hainan, no sul da China. Após a separação do primeiro estágio, o equipamento retornou de forma vertical e foi capturado pela estrutura instalada no mar.

A emissora estatal chinesa CCTV confirmou o sucesso da operação. Além da recuperação do propulsor, a missão também colocou um satélite em uma órbita previamente definida.

O lançamento ocorreu às 12h15 no horário local. Cerca de seis minutos depois da separação entre o primeiro estágio e o restante do foguete, a parte reutilizável iniciou o retorno e foi capturada pela plataforma marítima.

A recuperação do primeiro estágio é considerada uma das principais tecnologias para reduzir os custos das missões espaciais, já que permite que componentes caros sejam utilizados em novos lançamentos. O modelo também pode aumentar a quantidade de operações realizadas por empresas e governos.

Apesar de ter o mesmo objetivo do Falcon 9, da SpaceX, o método chinês utiliza uma tecnologia diferente. O foguete americano realiza pousos autônomos com pernas retráteis em plataformas terrestres ou em navios-drones no oceano. Já o Longa Marcha 10B conta com quatro ganchos que permitem sua captura por uma rede instalada em uma plataforma marítima.

Desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento (CALT), o Longa Marcha 10B foi criado para atender ao crescente mercado espacial comercial da China. O modelo é comparado ao Falcon 9 em tamanho e finalidade e possui capacidade para transportar pelo menos 16 toneladas para a órbita terrestre baixa.

A SpaceX foi pioneira na reutilização de foguetes de classe orbital. Em dezembro de 2015, a empresa conseguiu realizar o primeiro pouso bem-sucedido do primeiro estágio de um Falcon 9 após uma missão orbital. Desde então, a tecnologia passou a ser utilizada regularmente, permitindo o reaproveitamento de propulsores em diferentes lançamentos.

Outro marco da companhia ocorreu em outubro de 2024, quando a SpaceX recuperou o propulsor Super Heavy, da nave Starship. O equipamento retornou verticalmente e foi capturado por braços mecânicos instalados na torre de lançamento em Boca Chica, no Texas, demonstrando a possibilidade de reutilização de foguetes de grande porte.

A China vem desenvolvendo sistemas semelhantes há quase dez anos. Em 2025, duas tentativas de recuperação de foguetes orbitais falharam: uma realizada pela empresa privada LandSpace e outra pela estatal China Aerospace Science and Technology Corporation.

Nos últimos anos, empresas privadas chinesas também ampliaram investimentos em foguetes reutilizáveis. Para estimular o setor aeroespacial, Pequim flexibilizou regras relacionadas às ofertas públicas iniciais de companhias do segmento. Após o teste realizado nesta sexta-feira, empresas ligadas ao setor registraram valorização nas bolsas chinesas.

O Longa Marcha 10B faz parte da família Longa Marcha 10, desenvolvida para futuras missões lunares tripuladas da China, previstas para ocorrer antes de 2030. Segundo a CCTV, o primeiro estágio recuperado deverá ser utilizado novamente em uma nova missão ainda em 2026. E mais: Caso dos pais condenados à prisão por aplicar homeschooling às filhas tem reviravolta. Clique AQUI para ver.

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