O BTG Pactual passou a controlar o Jardim das Perdizes, um dos maiores projetos imobiliários em desenvolvimento na cidade de São Paulo. O banco fechou um acordo que lhe garante 68,59% da Windsor Investimentos Imobiliários, sociedade de propósito específico responsável pelo empreendimento localizado na região da Barra Funda, zona oeste da capital.

A movimentação envolve duas etapas distintas de aquisição. Em fevereiro, o BTG já havia firmado a compra de 26,09% da participação pertencente à Tecnisa. Posteriormente, o banco avançou em um novo acerto para adquirir a fatia integral da Hines no projeto. Com isso, consolidou a participação majoritária e assumiu o controle da SPE. O percentual restante segue com a Tecnisa e com a família Meyer Nigri, controladora da incorporadora.

A estrutura da operação foi apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela BTGI Quartzo Participações, veículo de investimentos ligado ao grupo. O documento detalha a aquisição de 68,59% das cotas da Windsor, divididas entre ativos antes detidos pela Tecnisa e pela Imobiliária 508 do Brasil Projetos Imobiliários, associada à estrutura da Hines. Após a conclusão, a Tecnisa permanecerá com 31,41% do empreendimento.

Embora o valor pago pela participação da Hines não tenha sido divulgado, a negociação anterior com a Tecnisa serve como parâmetro de mercado. Em fevereiro, o banco adquiriu metade da fatia da incorporadora por R$ 260,9 milhões, operação que avaliava a SPE em cerca de R$ 1 bilhão. A consolidação da fatia total de 68,59% indica uma avaliação aproximada de R$ 685,9 milhões para essa participação.

O Jardim das Perdizes é um bairro planejado com Valor Geral de Vendas superior a R$ 5 bilhões, sendo considerado um dos principais empreendimentos da Tecnisa. O projeto vinha sendo tratado como peça relevante na estratégia de retomada da incorporadora nos últimos anos.

A entrada do BTG como sócio majoritário ocorre em um contexto de reestruturação do projeto, que enfrentou atrasos por conta da ausência de Cepacs — certificados necessários para autorizar novos empreendimentos na região. No fim de 2023, a Tecnisa investiu cerca de R$ 225 milhões na compra desses títulos, o que permitiu a retomada do avanço do bairro planejado, mas também aumentou a pressão sobre seu fluxo de caixa.

Esse cenário ajuda a explicar a busca da incorporadora por alternativas de monetização parcial de sua participação. No ano anterior, a empresa chegou a anunciar a venda de R$ 510 milhões em terrenos do projeto para a Cyrela, mas a transação não foi concluída.

Diante disso, a solução adotada foi a entrada de um novo controlador na estrutura da SPE. No material encaminhado ao Cade, a Tecnisa afirma que a operação contribui para a redução de endividamento corporativo, diminui a concentração de riscos em um único ativo e permite maior equilíbrio financeiro para novos projetos. Já o BTG descreve a aquisição como uma oportunidade de ampliar e diversificar seus investimentos no setor imobiliário.

As partes também indicaram ao órgão antitruste que não veem riscos concorrenciais relevantes, argumentando que a atuação do banco no setor imobiliário não se sobrepõe de forma significativa ao empreendimento e que não há outros projetos residenciais sob seu controle na Barra Funda. Por isso, solicitaram aprovação em rito sumário.

Com a mudança, o BTG reforça sua atuação em ativos imobiliários de grande porte e passa a comandar um dos projetos residenciais mais ambiciosos da capital paulista. Para a Tecnisa, a operação representa uma reorganização estratégica: reduz exposição financeira e libera capital, ainda que implique a perda do controle sobre seu principal desenvolvimento urbano.

O novo arranjo coloca o Jardim das Perdizes sob gestão de um agente financeiro com maior capacidade de investimento, cenário que deve influenciar os próximos passos do empreendimento e atrair atenção do mercado imobiliário nos próximos meses. E mais: Documentário sobre Zico estreia no Rio e transforma cinema em clima de estádio. Clique AQUI para ver. (Foto: Divulgação)

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