A Articulação de Esquerda (AE), uma das correntes mais à esquerda do PT, divulgou nesta quinta-feira (8) uma avaliação bastante crítica sobre o desempenho do partido e do governo Lula no primeiro turno das eleições.

Para o grupo, a campanha presidencial cometeu “erros gravíssimos” que contribuíram para o resultado que colocou Lula atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da disputa.

A tendência petista, que tem o historiador e professor Valter Pomar entre suas principais lideranças, afirma que parte dos problemas esteve na própria estratégia adotada durante a campanha. Na avaliação da corrente, houve uma aposta excessiva na comparação entre os resultados do atual governo e os períodos anteriores, enquanto faltou uma mensagem voltada para o futuro.

Outro ponto destacado foi a avaliação equivocada sobre a força dos adversários. Segundo a AE, setores do PT chegaram a estruturar a campanha presidencial acreditando que Lula conseguiria encerrar a disputa já no primeiro turno.

A corrente também questionou a estrutura da campanha e a distribuição de material eleitoral. Em uma crítica direcionada à direção nacional do partido, sem citar diretamente o presidente do PT, Edinho Silva, a AE afirmou existir “incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupa a coordenação geral da campanha”.

Entre os problemas listados pela corrente estão ainda a ausência de candidaturas petistas aos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, a demora para definir o nome do partido em Minas Gerais e a estratégia adotada em São Paulo. Sobre o estado, a AE afirmou que a campanha para governador parecia estar apenas interessada em “cumprir tabela”.

A falta de material da campanha presidencial também foi apontada como um dos obstáculos. Diante disso, a corrente orientou os próprios militantes a produzirem materiais de campanha dentro das regras eleitorais.

Apesar das críticas, a Articulação de Esquerda considera que o resultado do primeiro turno não elimina a possibilidade de vitória de Lula na segunda etapa. O grupo afirma que alguns dos erros não podem mais ser corrigidos, mas cobra mudanças imediatas na condução da campanha e do partido.

“É urgente empoderar quem tem sangue nos olhos e disposição real de vencer”, afirmou a corrente.

A AE também avaliou que o desempenho eleitoral da direita não representou uma surpresa. Segundo o grupo, o cenário já vinha sendo considerado em avaliações anteriores, embora isso não significasse que o resultado fosse inevitável.

A resolução da corrente também dedica parte de sua análise ao papel dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump na disputa. Para a AE, o segundo turno terá importância que ultrapassa a política brasileira.

Segundo o documento, a segunda etapa da eleição “será decisiva para o futuro do Brasil, da América Latina e Caribe e da humanidade”. A corrente sustenta ainda que “trata-se de impedir que Trump, a extrema direita e o imperialismo controlem toda a região, colocando nossas riquezas a serviço dos projetos neofascistas e da guerra”.

Em relação especificamente ao Brasil, a AE declarou:

“Para o Brasil, trata-se de impedir que o crime organizado reconquiste o governo federal, ameaçando nossas liberdades e enterrando qualquer possibilidade de o Brasil ter desenvolvimento, bem-estar e soberania”

A corrente petista defendeu, diante desse cenário, uma mobilização mais intensa da militância durante o segundo turno, tanto nas ruas quanto nas redes sociais.

O grupo também afirma que é necessário enfrentar o que considera sinais de derrotismo dentro do próprio campo político e ampliar a atuação dos apoiadores de Lula. E mais: Lula pode indicar Tebet ou Pacheco ao STF após 2º turno. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Poder360)

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