
Lula decidiu se envolver diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF) após o embate entre os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e outros integrantes da Corte. Segundo reportagem exclusiva da Folha, auxiliares do petista avaliara que a disputa interna no tribunal traria prejuízos políticos à campanha.
De acordo com a Folha, Lula passou a defender a necessidade de formar uma maioria no STF capaz de isolar Mendonça, que é relator dos casos envolvendo o Banco Master (onde há o nome de Moraes) e as fraudes no INSS (que traz suspeitas sobre Lulinha).
Nas últimas horas, ministros do governo, parlamentares e magistrados próximos ao Planalto teriam articulado uma reação à decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na quarta-feira (9), Flávio Dino determinou a recondução de Andrei ao cargo e fez críticas à decisão de Mendonça. Segundo interlocutores ouvidos pela Folha, parte dos argumentos utilizados por Dino seria compartilhada pelo presidente da República.
Ainda segundo a reportagem, a articulação política de Lula teria influenciado a estratégia para que Andrei apresentasse um pedido de reabilitação em outro processo, sob relatoria de Dino. O procedimento trata de suspeitas envolvendo emendas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, conforme relatos obtidos pela Folha, aliados de Lula concluíram que as tentativas de estabelecer uma relação de neutralidade com Mendonça fracassaram.
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, vinha tentando construir uma ponte com o magistrado, mas o petista teria sido convencido de que o ministro estaria supostamente atuando contra sua candidatura e em benefício de Flávio Bolsonaro. Os dois casos caíram para Mendonça por meio de sorteio.
Nesse sentido, diz a Folha, Lula deu aval para uma ofensiva contra Mendonça. O próprio Lula criticou, no X, o que chamou de supostos “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral” e defendeu o fim de sigilos do caso Master.
A campanha de Lula também entrou na ofensiva e divulgou um vídeo sugerindo (sem provas) que há uma suposta tentativa de interferência no processo eleitoral. A publicação afirma: “O ministro que toca as investigações do Banco Master parece querer proteger Flávio Bolsonaro e não abre o sigilo do seu processo”.
Lula se reuniu na terça-feira (8) com Jorge Messias e com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Segundo a reportagem, durante o encontro o presidente deixou claro que não aceitaria o afastamento de Andrei Rodrigues. (Foto: EBC)
