O governo Lula decidiu avançar com a entregua ao Paraguai do canhão “El Cristiano”, uma das peças históricas mais simbólicas da Guerra da Tríplice Aliança, conflito ocorrido entre 1864 e 1870. O entendimento foi firmado durante uma reunião realizada no fim de julho entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

A decisão ocorreu após uma declaração de Lula sobre a guerra provocar reação do governo paraguaio. Ao comentar o conflito, o petista afirmou que “nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai decidiu invadir o Brasil”.

Após a fala, o Paraguai voltou a solicitar oficialmente a restituição do artefato, que atualmente está exposto no Museu Histórico Nacional, na região central do Rio de Janeiro.

O pedido, no entanto, não é recente. O governo paraguaio tenta recuperar o canhão por meio de negociações diplomáticas há mais de 15 anos. Agora, com o aval do petista, caberá ao Ministério das Relações Exteriores conduzir as tratativas e estabelecer as condições para a entrega.

Construído em meio a Guerra do Paraguai e entregue ao exército paraguaio, participou da Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866. Em 1870, na última batalha do conflito, o exercito brasileiro apoderou-se do canhão para considerá-lo como memória da guerra e da vitória do exército brasileiro.

O canhão foi forjado com o material de vários sinos de igrejas paraguaias (daí seu nome).[4] Junto a outra peça de artilharia pesada, chamado de El Criollo, foram os dois maiores canhões de maior calibre da América do Sul.

No século XIX o Uruguai devolveu à nação derrotada os troféus da guerra que foram apreendidos (entre outros objetos apreendidos, três bandeiras, vários fuzis, carabinas e espadas); a Argentina devolveu bens apreendidos em dois momentos: na posse de Alfredo Stroessner, em 1954, durante o governo de Perón, e móveis que haviam pertencido a Solano López, devolvidos em 2014 por Cristina Kirchner.[4]

Com a construção da Usina de Itaipu, o Brasil devolveu entre os anos de 1975 a 1980 vários dos bens apreendidos no conflito dentre os quais a espada do general López; iniciado em 2010 pelo governo brasileiro, a repatriação do canhão envolve um processo denominado destombamento, pelo qual um decreto do presidente da República retira a proteção dada a um determinado bem.

O conflito colocou o Paraguai contra uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O artefato possui forte valor histórico para o país vizinho.

No Brasil, a peça é protegida por tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dessa forma, a eventual devolução exige um procedimento específico para retirar o tombamento antes que o canhão possa ser oficialmente transferido ao Paraguai.

Apesar do acordo político para a restituição, portanto, a entrega ainda não tem data definida e dependerá da conclusão das medidas legais e diplomáticas necessárias. (Foto: redes sociais; Fonte: O Globo)

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