O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado 17,6% menor na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho foi pressionado pelo aumento da inadimplência e pelo cenário de juros elevados no país.

O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam lucro de R$ 3,723 bilhões. Após a divulgação do balanço, as ações do banco chegaram a cair 5,78% na Bolsa, sendo negociadas a R$ 26,07.

Segundo Carlos Ignacio Muñiz Gonzalez Blanch, diretor de relações com investidores do Santander Brasil, uma recuperação mais consistente dos resultados deve ocorrer apenas em 2027, considerando o atual ambiente de juros altos e maior dificuldade dos clientes em honrar compromissos financeiros.

O executivo afirmou que a nova edição do programa Desenrola teve impacto limitado na recuperação de créditos em atraso. Apesar de apresentar desempenho superior à primeira versão da iniciativa, a adesão dos clientes inadimplentes ficou abaixo do esperado.

Os dados do banco mostram que a inadimplência aumentou em praticamente todos os segmentos na comparação anual. O índice geral de atrasos superiores a 90 dias passou de 2,6% para 3,3% em um ano. Na comparação trimestral, porém, o indicador permaneceu estável.

Entre pessoas físicas, o percentual de clientes com pagamentos atrasados há mais de 90 dias subiu de 4% para 5,1%. No segmento empresarial, o índice avançou de 1,2% para 1,6%.

O maior aumento ocorreu entre pequenas e médias empresas, cuja inadimplência passou de 4,1% para 5,3%. Já entre grandes companhias, o indicador teve uma elevação mais moderada, de 0,1% para 0,2%.

O Santander atribuiu o avanço dos calotes principalmente aos segmentos de menor renda e ao agronegócio, citando “um cenário econômico ainda desafiador e de elevado nível de endividamento”.

A dificuldade dos brasileiros em manter as contas em dia também aparece nos dados do Banco Central. Considerando todo o sistema financeiro, a taxa de inadimplência no país chegou a 4,74% em maio, o maior nível desde o início da série histórica, em 2011.

Com o aumento dos atrasos, o Santander ampliou sua provisão para perdas com empréstimos, conhecida como PDD (provisão para devedores duvidosos). O valor chegou a R$ 7,654 bilhões no segundo trimestre, alta de 11,5% em relação ao ano anterior.

“A dinâmica reflete um ambiente de crédito ainda desafiador, com efeitos mais concentrados em carteiras específicas, incluindo empresas, agronegócio e segmento massivo, bem como alguns efeitos pontuais, como a mudança na regra de baixa para prejuízo e alguns reforços de provisão para casos do atacado”, informou o banco em relatório.

Diante do aumento do endividamento das famílias, o Santander adotou uma postura mais restritiva na concessão de crédito para clientes de menor renda, especialmente aqueles com ganhos inferiores a R$ 4 mil por mês. Esse grupo, porém, ainda representa cerca de 40% da carteira de pessoas físicas da instituição.

Outra estratégia adotada pelo banco é ampliar operações com garantias, como o consignado privado, modalidade em que o risco de inadimplência tende a ser menor.

No trimestre, o Santander reduziu levemente os empréstimos para pessoas físicas e aumentou a participação de operações destinadas a empresas, incluindo financiamentos relacionados ao consumo, como crédito para veículos.

A carteira total de crédito do banco encerrou junho em R$ 714,77 bilhões, crescimento de 5,8% em relação ao ano passado e alta de 1,3% no trimestre.

“Mantivemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade”, afirmou o Santander.

A margem financeira da instituição, que representa a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e o custo de captação de recursos, somou R$ 15,34 bilhões no segundo trimestre. O valor representa queda de 3% em três meses e recuo de 0,4% na comparação anual.

Segundo o banco, a redução ocorreu principalmente pela queda do spread bancário, já que a instituição passou a conceder menos crédito para clientes considerados de maior risco.

A rentabilidade do Santander, medida pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), terminou o trimestre em 12,5%. O indicador recuou 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2026 e caiu 3,8 pontos percentuais na comparação anual. E mais: Pesquisa revela que metade dos brasileiros não tem sequer R$ 500 para emergências. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Folha de SP)

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