Em sua primeira visita oficial à Argentina desde que assumiu a direção-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva afirmou que o país não necessita de um novo empréstimo da instituição e destacou os resultados obtidos pelo programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei.

Ao lado do ministro da Economia, Luis Caputo, Georgieva declarou que o governo argentino demonstra compromisso com a recuperação das contas públicas e com o fortalecimento da economia.

“Não vemos a Argentina precisando de financiamento adicional do Fundo. Mesmo sob cenários adversos, vejo um governo muito comprometido com a reconstrução das reservas e com uma estratégia abrangente para garantir acesso ao financiamento em 2027”, afirmou.

Segundo a dirigente, a expectativa é que a Argentina consiga repetir o caminho de outros países que recorreram ao FMI, realizaram reformas estruturais e deixaram de depender de novos financiamentos da instituição.

Durante a visita, Georgieva avaliou que a situação econômica do país é significativamente melhor do que a encontrada em 2019, quando participou de sua primeira reunião sobre a Argentina como diretora-gerente do Fundo.

Ela atribuiu essa evolução ao ajuste fiscal promovido pelo governo, à desaceleração da inflação, ao aumento das reservas internacionais e à melhora dos indicadores de risco do país.

De acordo com a dirigente, a inflação anual caiu de mais de 200% para aproximadamente 30%, enquanto as reservas internacionais cresceram cerca de US$ 13 bilhões.

Dados do próprio FMI mostram que a inflação argentina começou a acelerar em 2022, durante o governo de Alberto Fernández, quando atingiu 72% ao ano. O índice alcançou o pico de 219% em 2024, já na gestão de Milei, recuou para 41,9% em 2025 e segue em trajetória de queda, chegando a 30,4% em 2026.

Georgieva também ressaltou a melhora na avaliação da dívida argentina pelas principais agências internacionais de classificação de risco e destacou a retomada das emissões de títulos públicos no mercado doméstico.

Na semana passada, a Moody’s elevou a classificação de risco da Argentina, movimento semelhante ao adotado anteriormente pela S&P Global e pela Fitch, reforçando a percepção positiva do mercado em relação às reformas econômicas conduzidas pelo governo.

Ao comentar esse cenário, a diretora-gerente afirmou: “Hoje, por todos os indicadores, temos um quadro muito mais sólido”.

Apesar dos elogios, Georgieva ponderou que os benefícios da recuperação ainda não se espalharam por toda a economia argentina.

Segundo ela, o crescimento permanece concentrado em setores como petróleo, gás natural, mineração e agronegócio, enquanto áreas como construção civil, comércio e indústria continuam apresentando desempenho inferior.

A dirigente afirmou que discutiu com a equipe econômica medidas para ampliar o crédito destinado a pequenas empresas e famílias, fortalecer o mercado de capitais, incentivar o financiamento imobiliário e aumentar os investimentos em infraestrutura.

Ela também defendeu a continuidade das medidas de desregulamentação adotadas pelo governo Milei e ressaltou que ainda há desafios pela frente. “O progresso superou as expectativas, mas ainda há trabalho a ser feito”, declarou.

Embora tenha demonstrado confiança na capacidade da Argentina de honrar seus compromissos financeiros, Georgieva observou que 2027 será um ano decisivo para o país, devido ao elevado volume de vencimentos da dívida externa.

Segundo estimativas do FMI, a Argentina terá obrigações superiores a US$ 32 bilhões em moeda estrangeira naquele ano, período que também deverá coincidir com a campanha pela reeleição de Javier Milei.

O governo argentino afirma que pretende cumprir esses pagamentos utilizando recursos obtidos junto a organismos multilaterais, privatizações, emissões de dívida no mercado interno e aumento das exportações, sem recorrer novamente aos mercados internacionais.

Durante a agenda de dois dias no país, Georgieva também se reuniu com o presidente Javier Milei, com o presidente do Banco Central argentino, Santiago Bausili, além de representantes do setor empresarial e da comunidade acadêmica.

Nesta terça-feira (28), a diretora-gerente deve visitar Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás de xisto do mundo, considerada estratégica pelo governo para ampliar as exportações e fortalecer as contas externas da Argentina.

A visita ocorre às vésperas da terceira revisão do programa de US$ 20 bilhões firmado entre a Argentina e o FMI em 2025. Apesar dos elogios ao desempenho econômico, técnicos da instituição continuam classificando o cenário do país como de “riscos excepcionais”, avaliando que a sustentabilidade da dívida dependerá da continuidade do ajuste fiscal e do avanço das reformas econômicas. E mais: Governo da Argentina se manifesta sobre crise entre Milei e Lula. Clique AQUI para ver. (Foto: redes sociais; Fonte: Exame)

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