
O ministro da Agricultura, André de Paula, confirmou nesta terça-feira (9) a suspensão temporária por 60 dias da chamada “Portaria do Morango” (MAPA nº 886/2026). A decisão foi comunicada à direção da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que vinha pressionando pela revisão imediata das regras.
Publicada em fevereiro, a norma havia provocado reação intensa entre produtores rurais e comerciantes do setor hortifrutigranjeiro. Na versão do governo petista, o objetivo oficial era aproximar o padrão brasileiro das exigências de comercialização do Mercosul, mas, na prática, as regras passaram a ser vistas como excessivamente rígidas.
Entre os pontos mais criticados estavam a obrigatoriedade de separação dos morangos por calibre, exigindo classificação rigorosa por tamanho, além do risco de rebaixamento do produto em casos de variações naturais da fruta ou sinais leves de deterioração.
Com a suspensão, parlamentares e representantes do setor avaliam que ganham tempo para tentar uma revisão definitiva da portaria. O deputado Alceu Moreira destacou que o adiamento abre espaço para uma solução técnica.
”Foi um reconhecimento importante, pois isso nos dará prazo para recorrer tecnicamente e suspender de uma vez por todas essa medida, que vai elevar custos e prejudicar uma cadeia produtiva por inteiro”, afirmou o parlamentar.
Segundo informações repassadas pelo Ministério da Agricultura aos deputados federal Heitor Schuch e estadual Elton Weber, a portaria formalizando o novo prazo deve ser publicada nos próximos dias. Ambos participaram das articulações junto ao governo, em conjunto com entidades do setor como a Fetag.
A preocupação maior recai sobre produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, que afirmam enfrentar aumento da burocracia, custos adicionais e risco de desperdício diante das exigências previstas na norma.
Mesmo com a suspensão temporária, lideranças políticas avaliam que o problema não está resolvido. Para Schuch, o período precisa ser usado para aprofundar o diálogo com o governo.
“Conseguimos ganhar tempo para o diálogo, mas a preocupação dos produtores continua. Precisamos que o Ministério venha ao Estado, ouça quem produz e construa uma solução adequada à realidade da agricultura familiar”, afirmou Schuch.
Na mesma linha, Weber defendeu maior clareza nas regras para evitar insegurança no campo. “A prorrogação traz um alívio para os produtores e abre espaço para o diálogo. Mas seguiremos cobrando do Ministério da Agricultura clareza sobre o que pode e o que não pode ser exigido para que ninguém seja prejudicado por falta de orientação ou por normas distantes da realidade de quem produz”, ressalta Weber. E mais: Erro interno faz Nubank avisar clientes que vai encerrar atividades. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fontes: Canal Rural; Correio do Povo)
