A Polícia Federal estuda solicitar às autoridades dos Estados Unidos a quebra de sigilo de um fundo que recebeu recursos do empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Bolsonaro (PL).

Segundo informações apuradas pela Folha de SP, a iniciativa faz parte de uma investigação que busca esclarecer o destino de valores enviados ao exterior para custear o projeto audiovisual, financiado por recursos privados.

Entre as hipóteses consideradas pelos investigadores está a suposta possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para cobrir despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

Outra linha de apuração mencionada seria uma suposta tentativa de pressionar autoridades brasileiras por meio de interlocuções junto ao governo do presidente Donald Trump. Até o momento, porém, as suspeitas são tratadas como hipóteses investigativas e ainda dependem de comprovação.

O foco da PF é o Havengate Development Fund, fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. De acordo com as informações disponíveis, a estrutura teria recebido parte dos R$ 61 milhões destinados à produção do longa-metragem.

Para acessar os dados financeiros do fundo, a polícia dependerá da colaboração das autoridades norte-americanas e de autorização judicial nos Estados Unidos.

Além dessa medida, a corporação pretende recorrer à chamada Difusão Prata da Interpol, mecanismo voltado à identificação e localização de bens ligados a pessoas investigadas. A ferramenta é utilizada para rastrear patrimônio e difere da Difusão Vermelha, destinada à localização de foragidos.

Em entrevista à GloboNews nesta semana, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues (foto), afirmou considerar necessária a abertura de uma investigação específica para apurar o envio de recursos ao exterior para financiar financiar “Dark Horse”.

Segundo ele, representações recebidas pela corporação já foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o conteúdo e sobre a competência para conduzir o caso.

Rodrigues afirmou que a área técnica da PF avalia a possibilidade de um inquérito separado das demais investigações relacionadas ao Banco Master.

Entre os cenários analisados estão a vinculação ao processo que tramita sob a relatoria do ministro André Mendonça, a conexão com o inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos ou, ainda, a distribuição do caso por sorteio a outro integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).

A eventual quebra de sigilo somente seria requerida após autorização do STF para abertura de uma nova investigação. E mais: Pré-campanha de Flávio divulga novo jingle com foco em fé, família e esperança. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

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