
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes defendeu a continuidade do chamado “inquérito das fake news” ao longo de 2026, alegando que o ‘ambiente político’ brasileiro permanece marcado por radicalização e tensão eleitoral. A declaração foi dada em entrevista publicada neste domingo (24) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Aberto em 2019 por iniciativa do então presidente do STF, Dias Toffoli, o inquérito foi criado sob a justificativa de investigar ‘ameaças, ofensas e ataques’ considerados criminosos contra integrantes da Corte. Ao longo dos anos, porém, a investigação passou a incorporar diversos outros casos, tornando-se alvo de críticas de juristas, parlamentares e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil.
Para Gilmar Mendes, no entanto, o cenário político atual justifica a permanência da investigação. “Mantido o ambiente de radicalismo, e tudo indica que vai ser mantido, dado o acirramento eleitoral, o inquérito das fake news é necessário”, afirmou o ministro.
O magistrado também reagiu às críticas feitas por setores do Legislativo e citou a CPI do Crime Organizado, que teve como relator o senador Alessandro Vieira. Durante os trabalhos da comissão, houve pedido de indiciamento contra Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por supostos crimes de responsabilidade relacionados a conflitos de interesse e favorecimentos processuais.
Ao comentar o episódio, Gilmar ironizou os rumos da comissão parlamentar. “Veja a CPI do Crime Organizado. Era para investigar o PCC e outros que tais, e aí se indicia o ministro Toffoli, o ministro Alexandre, o procurador-geral Paulo Gonet e a mim. A CPMI resolveu o problema do crime organizado no Brasil”, declarou.
O ministro afirmou ainda que, diante de acusações desse tipo, integrantes da Corte têm o ‘direito de reagir’ judicialmente. “Não sei o que resta a alguém que é apontado como integrante de uma organização criminosa senão reagir. Ao fazê-lo, tem que fazer pelas vias do devido processo legal”, disse.
Nos últimos anos, o inquérito das fake news passou a enfrentar questionamentos constantes sobre sua duração e abrangência. Críticos lembram que a investigação perdeu delimitação clara e se transformou em um procedimento permanente, com sucessivas ramificações e alto grau de sigilo. Há cerca de dois anos, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, chegou a afirmar que o encerramento do caso estava próximo.
Durante a entrevista, Gilmar Mendes também comentou suspeitas levantadas sobre possíveis ligações de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o Banco Master. O magistrado negou qualquer relação indevida e afirmou que a crise financeira “não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, em referência ao centro financeiro de São Paulo.
O ministro ainda saiu em defesa do Fórum de Lisboa, evento acadêmico promovido por ele em Portugal e apelidado por críticos de “Gilmarpalooza”. Segundo Gilmar, os organizadores não têm controle sobre empresários, políticos ou investigados que participam de encontros paralelos durante o evento. “São personagens que se aproveitam do ensejo para ir ao El Corte Inglés ou fazer festa no rooftop do Tivoli. Não nos diz respeito”, afirmou. E mais: Urgente: PF descobre recursos de Vorcaro em fundo nas Bahamas. Clique AQUI para ver. (Foto: STF)
