Em política, decisões e manifestações públicas feitas no calor dos acontecimentos costumam gerar efeitos colaterais imediatos, especialmente quando envolvem alianças partidárias já em construção.

A avaliação sobre “precipitação” aparece justamente nesses contextos em que o tempo de reação pode pesar tanto quanto o conteúdo da mensagem.

Assim, os diretórios estaduais do Partido Novo no Paraná e em Santa Catarina criticaram publicamente a reação do ex-governador mineiro Romeu Zema aos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A crise interna ganhou força após Zema publicar um vídeo classificando a revelação dos áudios como “um tapa na cara do Brasil” e uma atitude “imperdoável”. A manifestação provocou desconforto entre lideranças do Novo alinhadas regionalmente ao PL.

No Paraná, onde o partido apoia a pré-candidatura ao Senado do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol em uma composição com o PL, o diretório estadual afirmou que a divulgação do vídeo foi “precipitada” e gerou “ruídos desnecessários” em alianças já consolidadas.

A nota também declarou que “posicionamentos públicos dessa natureza devem observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido”, destacando que isso não teria ocorrido no caso envolvendo Zema.

Segundo o diretório paranaense, a parceria entre Novo e PL no estado segue mantida, baseada principalmente na oposição ao PT e à esquerda.

Em Santa Catarina, o diretório estadual adotou tom semelhante e também afirmou que não houve alinhamento prévio antes da manifestação do ex-governador mineiro. No estado, o Novo integra a chapa de reeleição do governador Jorginho Mello, tendo o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva como candidato a vice.

A deputada federal Júlia Zanatta, do PL catarinense, afirmou nas redes sociais que conversou com lideranças nacionais do partido e relatou um clima favorável ao rompimento das alianças com o Novo em diversos estados.

“Há um clima dentro do partido para suspender as alianças com o Novo em todos os estados diante da precipitada e rasteira manifestação do Zema”, escreveu a parlamentar.

Nos bastidores, integrantes do Novo em estados do Sul já chegaram a defender Romeu Zema como possível vice em uma chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro, justamente para fortalecer acordos regionais entre as duas siglas.

A reação de Zema também provocou críticas de aliados próximos da família Bolsonaro. O vereador licenciado Carlos Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o senador Rogério Marinho classificaram o posicionamento do ex-governador como “oportunista”.

No Paraná, o episódio ainda passou a ser explorado politicamente pela esquerda. A ex-ministra Gleisi Hoffmann utilizou o caso para cobrar posicionamentos públicos de Deltan Dallagnol e do senador Sergio Moro sobre as investigações envolvendo o Banco Master. E mais: Tarcísio se manifesta sobre áudio de Flávio com Vorcaro. Clique AQUI para ver. (Foto: site oficial)

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