
O custo das viagens aéreas dentro do Brasil voltou a subir em março, com impacto direto no orçamento dos passageiros. Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o valor médio das passagens domésticas chegou a R$ 707,16 no período, representando um aumento de 17,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com fevereiro, quando a média foi de R$ 617,78, a elevação foi de 14,5%.
O movimento ocorre em um contexto internacional turbulento, marcado pela crise energética associada à Guerra do Irã. O cenário tem pressionado o setor aéreo global, sobretudo por causa das incertezas envolvendo o fornecimento e os preços do querosene de aviação (QAV).
Apesar disso, a Anac avalia que a variação registrada está “dentro da margem típica de variação no setor, mesmo com o contexto atual de conflitos externos gerando impactos na aviação em âmbito mundial”. A agência também ressalta que, em uma análise mais ampla, os preços vêm apresentando trajetória de queda desde 2023.
Os dados consideram a chamada tarifa real média, que leva em conta valores ajustados pela inflação oficial (IPCA) e exclui custos adicionais, como bagagem despachada e escolha de assentos. Quando analisado o rendimento por quilômetro voado, conhecido como yield, o aumento foi ainda mais expressivo: alta de 19,4% em relação a março do ano anterior, com passageiros pagando, em média, R$ 0,5549 por quilômetro.
A distribuição dos preços mostra que parte significativa das passagens ainda se mantém em faixas mais acessíveis: 45,4% dos bilhetes foram vendidos por menos de R$ 500. Em contrapartida, 8,2% superaram o valor de R$ 1.500.
Curiosamente, o combustível utilizado pelas aeronaves apresentou queda no período analisado. O QAV foi comercializado a R$ 3,60 por litro em março, uma redução de 13,7% frente ao mesmo mês de 2025 e de 17,7% em relação a 2024. Ainda assim, a tendência não deve se manter.
No início de abril, a Petrobras anunciou um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação, refletindo a alta das cotações internacionais após o agravamento do conflito no Oriente Médio. O aumento acendeu alerta entre empresas do setor. Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que a medida pode comprometer a expansão da malha aérea no país.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, disse a entidade.
No exterior, companhias já começam a reagir ao cenário. A alemã Lufthansa anunciou o cancelamento de 20 mil voos na Europa entre maio e outubro como forma de reduzir custos operacionais. Já representantes de aeroportos da União Europeia alertam para o risco de uma escassez “sistêmica” de combustível, caso o estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás, permaneça com restrições.
Com um cenário internacional ainda incerto e custos operacionais sujeitos a novas oscilações, o comportamento das tarifas aéreas nos próximos meses seguirá condicionado tanto a fatores externos quanto às medidas adotadas internamente para equilibrar o setor. E mais: Ratinho vence deputada do PT na Justiça mais uma vez. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC)
