
Investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula (PT), alcançaram quatro pessoas que integram ou já integraram o governo federal. Os investigadores analisam mensagens, movimentações financeiras e contatos mantidos pelos envolvidos em três inquéritos que apuram possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.
Entre os nomes que aparecem nas apurações estão Ranniêr Costa Ciríaco, José Martinho Ferreira de Araújo, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, e Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger.
A PF investiga a atuação da lobista Roberta Luchsinger, que, segundo a linha investigativa, teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo para defender interesses privados. Os investigadores suspeitam ainda que ela mantinha uma sociedade oculta com Lulinha e o empresário Fernando Bittar.
Um dos núcleos da investigação envolve o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Mensagens analisadas pela PF indicam que Roberta teria orientado seu motorista e auxiliar, Ulisses Barbosa, a realizar depósitos em contas ligadas a Ranniêr Costa Ciríaco, então secretário-executivo adjunto da pasta, além de outro funcionário do ministério e uma terceira pessoa.
De acordo com as conversas obtidas pelos investigadores, os valores faziam parte de R$ 60 mil que a lobista mantinha em espécie. Cerca de seis meses depois dos repasses mencionados pela PF, o ministério firmou contrato com uma empresa de tecnologia cujo empresário era representado por Roberta.
José Martinho Ferreira de Araújo, que ocupava a função de coordenador do cerimonial do então ministro Wellington Dias, também aparece nas mensagens. Conforme a investigação, uma das contas indicadas para receber parte dos recursos seria dele, enquanto outra estaria em nome de uma parente.
Outro personagem citado é Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”. Ele ocupou o cargo de chefe de gabinete de Lula e fazia parte do grupo de auxiliares mais próximos do presidente. Posteriormente, deixou o Palácio do Planalto para participar da campanha de reeleição de Lula, mas acabou afastado da equipe eleitoral após surgirem informações sobre sua relação financeira com Roberta.
Segundo a PF, a lobista teria bancado aproximadamente R$ 217 mil em despesas de Marcola ao longo de 2024. Entre os gastos identificados estão faturas de cartão de crédito, parcelas relacionadas a um veículo e outras despesas pessoais.
Para os investigadores, os pagamentos ocorreram paralelamente a negociações nas quais Roberta buscava abrir caminho para interesses privados dentro do governo. As apurações apontam que Marcola teria auxiliado a lobista em tratativas envolvendo o Ministério da Saúde e integrantes do gabinete presidencial.
Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, também aparece no material reunido pela Polícia Federal. Ele foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e atualmente ocupa o cargo de chefe de gabinete adjunto da Presidência da República.
Conversas obtidas pela PF mencionam reuniões e contatos relacionados a iniciativas de interesse de Roberta Luchsinger junto ao governo. Mensagens atribuídas a Lulinha também fazem referência a almoços com Berger e Marcola.
A Polícia Federal analisa essas relações para verificar se os contatos e eventuais intervenções ultrapassaram os limites de uma atuação regular e resultaram em favorecimento indevido de negócios privados. As investigações ainda estão em andamento e deverão esclarecer o papel de cada um dos envolvidos nos episódios analisados.
As defesas negam irregularidades. Marcola afirma que os valores eram referentes a um empréstimo pessoal já quitado e nega ter intermediado negociações ou documentos no Ministério da Saúde, Anvisa ou outros órgãos. A pasta diz que nunca manteve contrato com a World Cannabis. Já a defesa de Lulinha questiona a autenticidade das conversas analisadas pela PF e afirma que ele não tem relação com os pagamentos.
