
A maratona de Londres deste ano entrou de vez para a história do atletismo mundial. Em uma prova marcada por estratégias agressivas, ritmo elevado desde o início e condições climáticas favoráveis, o queniano Sebastian Sawe, de 31 anos, conseguiu um feito inédito ao cruzar a linha de chegada em 1:59:30, superando oficialmente a barreira das duas horas.
Logo após a prova, o cenário foi de admiração geral diante do resultado. O desempenho do atleta treinado pelo italiano Claudio Berardelli consolidou uma sequência impressionante: quatro vitórias em quatro maratonas disputadas, todas com domínio consistente. Antes da explosão em Londres, Sawe já havia vencido provas com tempos entre 2:02:05 e 2:02:27, mostrando evolução constante até alcançar o marco histórico.
A corrida também colocou frente a frente nomes de peso do atletismo mundial. O etíope Yomif Kajelcha, estreante na distância, surpreendeu ao terminar em 1:59:41, enquanto o ugandense Jakob Kiplimo completou o percurso em 2:00:28, desempenho que ficou abaixo do antigo recorde mundial de 2:00:35, registrado em Chicago 2023 pelo queniano Kelvin Kiptum.
Apesar do impacto do resultado, o contexto também favoreceu os atletas. O percurso contou com clima estável, cerca de 12°C na largada e 15°C na chegada, além de avanços tecnológicos, como o tênis ultraleve utilizado por Sawe, com apenas 96 gramas. A largada aconteceu às 9h25 no horário britânico, com chegada próxima ao Palácio de Buckingham.
Durante a prova, um grupo seleto ditou o ritmo inicial, formado por seis corredores de elite. A disputa começou a se definir entre os quilômetros 28 e 29, quando Sawe iniciou seu ataque decisivo. Apenas Kajelcha conseguiu acompanhar momentaneamente, enquanto Kiplimo manteve-se próximo até se desprender na reta final.
A parte final da corrida impressionou pelo ritmo extremo. Os últimos 21 quilômetros foram completados em 59:01, com parciais de alto desempenho nos trechos intermediários. Sawe ainda acelerou nos metros finais, completando os últimos 2.195 metros em 5:51, superando inclusive marcas recentes de referência.
O desfecho foi dramático, com Kajelcha cedendo pouco antes da linha de chegada após uma disputa intensa. Ainda assim, o alto nível da prova chamou atenção: nenhum dos primeiros colocados demonstrou exaustão extrema ao fim da corrida.
Na sequência da classificação, Amos Kipruto terminou em quarto lugar com 2:01:39, seguido pelo campeão olímpico Tamirat Tola (2:02:59) e Derese Geleta (2:03:23). O melhor europeu foi o irlandês Peter Lynch, em nono, com 2:06:08.
Na prova feminina, a etíope Tigst Assefa se destacou novamente ao vencer com 2:15:41, estabelecendo um recorde mundial em provas exclusivamente femininas. Ela dividiu a liderança com Hellen Obiri e Joyciline Jepkosgei até os quilômetros finais, quando o sprint decisivo definiu o pódio.
O resultado desta edição não apenas entra para os registros, mas também amplia a discussão sobre até onde o corpo humano pode chegar nas provas de longa distância. E mais: Explosão na Colômbia deixa mortos e feridos às vésperas de eleição na Colômbia. Clique AQUI para ver. (Fotos: Reprodução Vídeo)
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