O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quarta-feira (23) que espera uma mudança na orientação política do Brasil e criticou o que classificou como um “curso socialista decadente” adotado pelo país nos últimos anos. A declaração foi dada após sua participação na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Ao comentar a possibilidade de o Brasil integrar o chamado Escudo das Américas, Milei afirmou que a decisão cabe aos brasileiros, mas aproveitou para defender uma mudança política no país.

“O Brasil participar do Escudo das Américas é uma questão brasileira, mas tenho esperança de que o Brasil possa quebrar este curso socialista decadente que tomou nos últimos tempos e possa abraçar novamente as ideias da liberdade e fazer parte do grupo de países livres”, declarou.

A posição apresentada pelo argentino ocorre em meio à sua proximidade com Flávio Bolsonaro (PL), que pretende disputar a Presidência da República em 2026. Em julho, Milei esteve no Brasil para participar de um evento de lançamento da candidatura do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na ocasião, o presidente argentino também manifestou apoio direto ao projeto eleitoral de Flávio. Milei afirmou esperar que o Brasil se torne “liberal” nas eleições de outubro e declarou que o senador seria capaz de enfrentar Lula. Durante o evento, também participou de um coro com críticas ao presidente brasileiro.

“Eu creio que somente Flávio pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros. Creio firmemente que não há outro capaz de parar o efeito de Lula sobre o país. E não há outro para fazer frente às organizações criminosas e narcotraficantes, e nisso eu confio plenamente em Flávio Bolsonaro”, falou o presidente do país vizinho.

Em seu discurso, Milei concentrou parte das críticas na esquerda e voltou a associar o socialismo ao autoritarismo. O presidente argentino também defendeu as ideias liberais como alternativa ao modelo que atribui à esquerda.

Milei ainda afirmou que, quando setores da esquerda reivindicam eleições, cabe à direita assumir posteriormente a tarefa de enfrentar os problemas deixados pelos governos anteriores. Ao abordar o cenário eleitoral, pediu que os eleitores estejam preparados para uma disputa que classificou como “suja”.

A manifestação desta quarta-feira mantém o tom de proximidade política entre Milei e Flávio Bolsonaro, enquanto o presidente argentino amplia suas críticas ao governo Lula e defende uma mudança de orientação política no Brasil.

 

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