
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara uma mudança na metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) que deverá incluir uma estimativa do dinheiro movimentado pelo comércio de drogas ilícitas no Brasil. A reportagem é do portal G1. Clique AQUI para ver.
A alteração faz parte da revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais (SCN), realizada pelo instituto aproximadamente a cada dez anos. Os primeiros resultados da nova metodologia estão previstos para 2028.
A inclusão não significa que o IBGE passará a considerar o tráfico uma atividade legal. A lógica é econômica: mesmo sendo proibido, o comércio de drogas movimenta dinheiro, gera renda e envolve gastos. Pela metodologia das Contas Nacionais, ignorar completamente essas transações pode distorcer outros indicadores da economia.
O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos em determinado período. Nas regras internacionais utilizadas nas Contas Nacionais, uma atividade não precisa ser legal para ser contabilizada. Quando existe uma transação econômica voluntária entre vendedor e comprador, ela pode ser considerada nas estatísticas.
É justamente o que ocorre com a compra de drogas. Embora produção e comercialização sejam crimes, existe uma operação econômica entre quem vende e quem compra.
Um dos efeitos de deixar esse dinheiro fora das contas aparece no cálculo da poupança das famílias. Se uma pessoa utiliza sua renda para comprar uma droga e esse gasto não é registrado, estatisticamente pode parecer que o dinheiro continuou disponível para ela. Na realidade, houve uma despesa.
Segundo a reportagem do G1, o IBGE começou a estudar uma forma de medir esse mercado em 2019 e realizou uma primeira estimativa experimental em 2021. Desde então, os pesquisadores vêm desenvolvendo e testando a metodologia que será utilizada na próxima revisão das Contas Nacionais.
Para chegar a um valor, o IBGE não deverá simplesmente utilizar os dados de apreensões realizadas pela polícia. Como o mercado ilegal é oculto e seus participantes têm interesse em esconder a atividade, a metodologia internacional recomenda estimar inicialmente o tamanho da demanda.
De maneira simplificada, o cálculo pode ser representado pela fórmula:
Número de usuários × consumo médio por usuário × preço de venda = gasto estimado dos consumidores
Depois de estimar quanto é consumido, os pesquisadores precisam avaliar como esse mercado é abastecido, separando a produção realizada no Brasil das drogas que entram ilegalmente no território nacional.
Também entram na conta os custos necessários para colocar os produtos no mercado. Com essas informações, é possível calcular o chamado Valor Adicionado Bruto (VAB), indicador que mostra quanto determinada atividade acrescenta à economia depois de descontados os bens e serviços utilizados em sua produção.
Os manuais internacionais utilizados pelo IBGE, como o System of National Accounts (SNA), elaborado no âmbito da ONU, também contemplam outras atividades consideradas ilegais, como prostituição e contrabando.
No caso brasileiro, o IBGE informou que pretende incluir a comercialização de drogas ilícitas na nova metodologia. Questionado sobre a possibilidade de também incorporar prostituição e contrabando, considerando que essas atividades aparecem nas referências internacionais, o instituto não esclareceu se elas serão incluídas no cálculo.
A mudança, portanto, busca medir uma parcela da atividade econômica que já existe, ainda que seja ilegal, e não alterar o tratamento jurídico dado ao tráfico de drogas. A estimativa deverá aparecer nas estatísticas econômicas a partir da revisão que será divulgada pelo IBGE em 2028. (Foto: divulgação)
