O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ironizou o valor do reajuste anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Bolsa Família, mas afirmou que pretende manter a correção caso seja eleito.

Durante uma live realizada nesta quinta-feira (17), o senador classificou o aumento como uma “merreca” e disse que pretende ampliar as ações voltadas aos beneficiários do programa.

Durante a live, Flávio também estabeleceu uma comparação entre os gastos relacionados às viagens do casal presidencial e o custo do reajuste do Bolsa Família neste ano. A crítica foi utilizada pelo candidato para questionar a prioridade dada pelo governo aos recursos públicos.

A poucos dias da eleição, o reajuste anunciado pelo governo federal eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, uma correção de 15,04%. Já o valor médio dos pagamentos, considerando os diferentes adicionais previstos no programa, deve passar de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro, a partir de 19 de outubro.

Ao comentar a medida, Flávio afirmou que o aumento não seria suficiente para produzir uma mudança significativa na situação financeira das famílias atendidas pelo programa. Apesar da crítica, deixou claro que não pretende cancelar a correção caso assuma a Presidência.

“Então, quero me comprometer aqui: além de manter esse reajuste, eu vou fazer muito mais por você que recebe Bolsa Família. A gente vai fazer o maior programa de mobilidade social que esse Brasil já viu”, afirmou.

A declaração ocorreu depois de Flávio também se posicionar contra uma iniciativa do deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que havia recorrido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o reajuste anunciado pelo governo.

“Quero dizer que houve um deputado que acionou a Justiça para tirar esse reajuste. Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso. Ele não deveria ter entrado [com a ação], mas entrou por conta própria. Não fui eu que pedi que ele fizesse isso”, afirmou o candidato durante a transmissão.

A ação apresentada por Zé Trovão acabou rejeitada pelo ministro André Mendonça por uma questão processual. O magistrado entendeu que o deputado não tinha legitimidade para apresentar aquele tipo de questionamento contra uma candidatura presidencial, já que as disputas eleitorais ocorrem em circunscrições diferentes. Com isso, o mérito da discussão sobre o reajuste não chegou a ser analisado.

A atualização do Bolsa Família foi anunciada por Lula em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O governo afirma que a correção de 15,04% corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 e tem como objetivo preservar o poder de compra dos beneficiários.

O novo valor mínimo deverá começar a chegar aos beneficiários em 19 de outubro, entre o primeiro turno e um eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro.

 

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