O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria afirmado, em uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pagou cerca de R$ 30 milhões relacionados ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo reportagem do jornalista Robson Bonin, publicada pela revista Veja, os recursos teriam sido destinados ao Instituto Lula e a despesas da produção cinematográfica. A publicação afirma que a proposta não avançou na Procuradoria por falta de provas.

De acordo com a revista, Vorcaro também teria relatado tentativas de obter acesso a fundos de pensão ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Asset e à Previ. As negociações teriam sido intermediadas pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Conforme a versão atribuída ao ex-banqueiro, a liberação de seu credenciamento junto aos fundos dependeria de pagamentos relacionados ao documentário e ao Instituto Lula. A produção mencionada é “Lula” (2024), dirigida pelo cineasta Oliver Stone.

A reportagem afirma ainda que Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os valores que o Banco Master conseguisse captar junto aos fundos de pensão.

Nas estimativas atribuídas a Vorcaro, a operação poderia render R$ 1 bilhão ao PT e R$ 9 bilhões ao então banqueiro. O material publicado, porém, não esclarece se a operação chegou a ser concretizada.

Após a divulgação da reportagem, a Procuradoria-Geral da República se manifestou sobre as tratativas envolvendo uma possível colaboração de Vorcaro.

Em nota, o órgão declarou que as conversas “foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que não houve “depoimento oral” ou “qualquer intermediação direta” do ex-banqueiro com representantes da instituição.

A campanha de Lula também contestou o conteúdo divulgado pela revista nesta sexta-feira (9). Em manifestação, classificou como “estarrecedor” que a publicação apresentasse “acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”. A equipe do presidente também chamou a reportagem de “irresponsável”.

A Veja divulgou ainda um arquivo de áudio que atribui a Vorcaro. Na gravação, uma voz masculina menciona um eventual adiantamento feito por Augusto Lima a Paulo Okamotto, ligado ao Instituto Lula, e afirma que o pagamento teria sido realizado de maneira inadequada.

“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. Do Flávio [Bolsonaro] não foi porque ele pediu patrocínio”, diz a voz atribuída ao fundador do Banco Master pela revista.

A publicação não apresentou, no texto fornecido, informações sobre a data em que o áudio teria sido gravado, as circunstâncias do registro ou se Vorcaro tinha conhecimento e havia autorizado a gravação.

Paulo Okamotto negou ter recebido dinheiro para a realização do documentário. Em declaração sobre a produção, afirmou que a iniciativa partiu exclusivamente de Oliver Stone e que o Instituto Lula não participou do desenvolvimento do filme nem da arrecadação de recursos.

“Em relação ao documentário ‘Lula’, de Oliver Stone, é uma iniciativa exclusiva do próprio Oliver Stone, e não do Instituto Lula. O Instituto Lula e eu nunca estivemos envolvidos na produção e na captação de recursos. Nunca recebemos recursos para a realização do filme”, declarou.

A reportagem também menciona uma troca de mensagens datada de 29 de outubro de 2022. Na ocasião, Warde, identificado como um dos entrevistados do documentário, teria enviado três imagens a Vorcaro acompanhadas da mensagem “Filme do Oliver Stone”. O fundador do Banco Master respondeu: “Top”. (Foto: reprodução; Fonte: Poder360)

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