O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um documento ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) no qual afirma que a eventual confirmação de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros poderia gerar vantagem política para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação é da Folha de SP.

Segundo o parlamentar, que é pré-candidato à Presidência pelo PL, a medida teria efeito duplo: prejudicaria a economia norte-americana e setores produtivos brasileiros, ao mesmo tempo em que fortaleceria o atual governo no cenário eleitoral.

“As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, afirmou.

Com base nesse argumento, Flávio solicitou ao órgão norte-americano que a aplicação das sobretaxas seja suspensa ao menos até a realização das eleições presidenciais no Brasil.

Em outro trecho do documento, ele defende que decisões econômicas de grande impacto não sejam adotadas às vésperas de disputas eleitorais em democracias estrangeiras, para evitar interpretações de interferência no processo político.

“Os Estados Unidos têm um interesse consolidado em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada, onde a ação corre o risco de ser retratada […] como uma tentativa de influenciar o resultado”, escreveu o senador. “Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização.”

O relatório apresentado por Flávio ao USTR possui 19 páginas e inclui anexos e dados de pesquisas de opinião. Em uma das análises, ele sustenta que o governo Lula teria sido beneficiado politicamente em momentos de tensão comercial com os Estados Unidos.

“Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu justamente nos períodos em que a pressão exercida pelas tarifas americanas foi mais intensa”, afirma o documento, que também cita projeções eleitorais favoráveis ao petista em cenários de primeiro e segundo turno.

O senador ainda argumenta que o presidente Lula adota uma postura de confronto com os Estados Unidos por razões ideológicas e associa esse posicionamento ao contexto das disputas comerciais recentes entre os dois países.

O texto também menciona a classificação do Banco Master como “maior fraude financeira” da história, mas não detalha conexões com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro.

A investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano foi aberta com base na Seção 301 e inclui temas como comércio digital, pagamentos eletrônicos, tarifas consideradas desleais, proteção da propriedade intelectual e questões ambientais.

Entre os pontos analisados está o sistema de pagamentos brasileiro Pix, que foi citado no processo como exemplo de suposto tratamento desigual em relação a empresas estrangeiras. No documento, Flávio defende o sistema e afirma que ele “é uma das realizações mais emblemáticas do governo Jair Bolsonaro”.

O governo dos Estados Unidos já concluiu a fase técnica da investigação e sugeriu a aplicação de novas tarifas, cabendo agora a decisão final ao presidente norte-americano, Donald Trump.

No documento, o senador também sugere alternativas de pressão diplomática, como restrições de vistos e sanções com base na Lei Magnitsky, mencionando casos envolvendo autoridades brasileiras.

A análise final do processo ainda está em andamento, e a decisão sobre a adoção do tarifaço dependerá da avaliação política da Casa Branca após consultas ao setor privado. E mais: Bolsonaro mandou Michelle desistir do Senado. Clique AQUI para ver. (Foto: Ag. Senado; Fonte: Folha de SP)

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