
A Braskem anunciou o início de um processo de recuperação extrajudicial depois que as negociações com seus credores não resultaram em um acordo para reorganizar as dívidas da companhia. A medida busca criar uma nova estrutura para o passivo financeiro da petroquímica em meio a um cenário de pressão sobre o caixa.
A empresa ressaltou que o procedimento tem alcance restrito às obrigações financeiras e não interfere nos compromissos assumidos com fornecedores, clientes e outros parceiros comerciais.
Segundo a Braskem, essas obrigações continuam válidas e seguem sendo cumpridas normalmente, conforme os contratos firmados.
A recuperação extrajudicial permite que uma companhia negocie diretamente com seus credores uma proposta de reestruturação. Depois de obtido o apoio necessário, o acordo é submetido à Justiça para homologação. Caso a empresa não consiga reunir os requisitos exigidos, o processo pode acabar sendo convertido em recuperação judicial.
A decisão ocorre pouco mais de um mês depois de a Braskem iniciar conversas com credores sobre mudanças em sua estrutura de capital. O prazo de 60 dias de proteção contra eventuais execuções terminou nesta segunda-feira sem que as partes chegassem a uma solução definitiva.
As instituições financeiras que negociavam com a companhia pediram garantias lastreadas em ativos da própria Braskem e condicionaram o acordo à contratação de um financiamento de US$ 700 milhões. A empresa, porém, não aceitou assumir o novo empréstimo.
Uma alternativa apresentada pela IG4, uma das controladoras da companhia, prevê a extensão dos prazos das linhas de crédito existentes por cinco anos, além de uma carência de 30 meses para o pagamento de juros.
A proposta, contudo, não contempla abatimento do valor principal das dívidas — conhecido no mercado como haircut — nem a transformação dos créditos bancários em participação acionária na empresa.
A situação financeira da Braskem se deteriorou em um período de dificuldades para a indústria petroquímica. O segmento enfrenta uma combinação de excesso de capacidade no mercado internacional, redução das margens e demanda abaixo do esperado.
O impacto sobre os resultados da companhia também é significativo. O custo dos produtos vendidos chegou a representar aproximadamente 96% da receita líquida.
Outro fator que pesa sobre as finanças da Braskem é o passivo relacionado ao afundamento do solo em Maceió (AL), associado à exploração de sal-gema. O episódio afetou cerca de 60 mil pessoas e levou à condenação de aproximadamente 14 mil imóveis, gerando obrigações bilionárias para a empresa.
Em junho, a Justiça Federal recebeu uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal relacionada ao caso. Na ocasião, os papéis da Braskem registraram queda próxima de 15% durante o pregão.
A elevação dos juros também aumentou o custo de financiamento da companhia. A taxa Selic, que estava em 2% em 2020, alcançou 15% em março de 2026, tornando mais caro o serviço da dívida. Além disso, uma parcela significativa das obrigações da Braskem está denominada em moeda estrangeira, o que amplia a exposição da empresa às variações cambiais.
A pressão financeira também chegou à Braskem Idesa, joint venture da companhia no México. Na semana passada, a empresa apresentou nos Estados Unidos um pedido de proteção sob o Chapter 11, mecanismo previsto na legislação americana para a reorganização de empresas em dificuldades financeiras. E mais: Pesquisa revela disputa para Presidente, Governo e Senado em São Paulo. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: CNN)
