
Glória Menezes, um dos nomes mais reconhecidos da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. De acordo com informações divulgadas pela assessoria da atriz, ela morreu de causas naturais em seu apartamento, no Rio de Janeiro. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.
Com uma carreira iniciada ainda no fim dos anos 1950, Glória construiu uma trajetória de mais de 60 anos. Ao longo desse período, participou de novelas, filmes, séries e peças de teatro que marcaram diferentes gerações de espectadores.
Entre os trabalhos que fizeram parte de sua carreira estão “Corpo a Corpo” (1984), “Rainha da Sucata” (1990), “Senhora do Destino” (2004), “Páginas da Vida” (2006) e “A Favorita” (2008). Sua última novela foi “Totalmente Demais”, exibida em 2015, na qual interpretou Stelinha Bastos.
Uma carreira construída desde o teatro
Nascida em 19 de outubro de 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória Menezes recebeu o nome de Nilcedes Soares de Magalhães. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo. Na juventude, estudou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP), onde começou a desenvolver sua formação artística.
Em 1959, realizou sua primeira apresentação profissional e recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival dirigido por Antunes Filho. No mesmo período, chegou à televisão com “Um Lugar ao Sol”.
Foi também nos palcos que conheceu Tarcísio Meira. Os dois se encontraram durante a montagem de “As Feiticeiras de Salém” e, posteriormente, formaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira.
A parceria profissional ganhou ainda mais destaque em 1961, quando os dois protagonizaram “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Ao longo dos anos, voltaram a atuar juntos em produções como “Irmãos Coragem”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos” e “Torre de Babel”.
Cinema e televisão
A carreira de Glória também ultrapassou os limites da televisão. Em 1960, recebeu um convite do cineasta Anselmo Duarte para atuar em “O Pagador de Promessas”, filme lançado em 1962 e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Na televisão, a atriz transitou por diferentes gêneros e personagens, consolidando uma presença constante nos grandes sucessos da dramaturgia nacional. Entre suas produções estão ainda “Deus nos Acuda”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Uma personagem que voltou a ganhar destaque anos depois foi Laurinha Figueroa, de “Rainha da Sucata”. A vilã se tornou uma das interpretações mais lembradas da carreira da atriz e voltou à atenção do público durante a reprise da novela no “Vale a Pena Ver de Novo”.
Vida ao lado de Tarcísio Meira
Glória Menezes e Tarcísio Meira permaneceram casados por quase seis décadas. Os dois se conheceram durante uma montagem teatral e iniciaram a relação em 1962, tornando-se um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira. Ao longo dos anos, também dividiram diversos trabalhos profissionais.
A união chegou ao fim em 2021, quando o ator morreu aos 85 anos.
Glória deixa três filhos. João Paulo e Maria Amélia são frutos de seu casamento com Arnaldo Brito. Já Tarcísio Filho é filho da atriz com Tarcísio Meira.
Após a morte do marido, Glória passou a viver no Rio de Janeiro. Mais reservada nos últimos anos, manteve-se próxima dos filhos e reduziu as aparições públicas.
Em 2024, chamou atenção ao participar do lançamento do livro de Boni, no Leblon. Na ocasião, chegou ao evento em uma cadeira de rodas acompanhada pelo filho, mas explicou que utilizava o equipamento principalmente por conforto e afirmou que continuava caminhando diariamente.
A atriz também apareceu em registros publicados pela família nas redes sociais, incluindo momentos de comemoração de seu aniversário e encontros com familiares.
Uma trajetória que permanece
Mesmo longe das novelas nos últimos anos, Glória Menezes continuou presente na memória do público por meio das reprises e das homenagens à sua carreira.
Com personagens que atravessaram décadas e uma carreira construída entre teatro, cinema e televisão, Glória Menezes deixa uma contribuição marcante para a história da dramaturgia brasileira.
A despedida encerra uma longa trajetória artística, mas o trabalho da atriz permanece vivo nas produções que ajudaram a construir a memória da televisão brasileira. E mais: As primeiras doações de Armínio Fraga nesta eleição. Clique AQUI para ver. (Fotos: Reprodução Redes Sociais)
