
O mercado de trabalho brasileiro registrou a criação de 121,3 mil empregos formais em setembro, uma redução de 43% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado é o mais fraco para o mês desde 2020, quando começou a série do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os números foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho.
O desempenho ficou abaixo até mesmo do registrado em setembro de 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, quando o país abriu 299,7 mil vagas com carteira assinada.
No mês passado, foram contabilizadas 2,214 milhões de admissões e 2,09 milhões de desligamentos. Com isso, o saldo positivo acumulado de janeiro a setembro chegou a aproximadamente 1,2 milhão de postos formais, o menor resultado para o período desde 2020, ano em que o país registrou saldo negativo.
A sequência de resultados mais fracos também chama a atenção. Abril, maio, junho, julho e agosto tiveram os piores saldos para cada um desses meses desde 2020, reforçando os sinais de perda de ritmo na geração de empregos.
Durante entrevista coletiva, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu a desaceleração do mercado de trabalho ao custo elevado do crédito. A taxa básica de juros, a Selic, é alvo frequente de críticas de integrantes do governo Lula (PT), ignorando o gasto desenfreado do governo.
Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para discutir a taxa. A expectativa, segundo informações publicadas pela Folha, é de interrupção do ciclo de redução, com manutenção do índice em 13,75%.
“Os juros vem machucando o ritmo de investimento e isso reflete no número de empregos gerados”, afirmou o ministro.
Marinho também comentou a proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para enfrentar o problema dos juros elevados. A ideia provocou preocupação no mercado financeiro, enquanto representantes do governo e do PT negaram que a administração federal pretenda adotá-la.
O ministro admitiu que ainda não havia lido o artigo de Lara Resende, mas criticou a reação do mercado. Na avaliação dele, o presidente Lula deve ter liberdade para conhecer diferentes propostas e decidir se alguma delas merece ser colocada em prática.
“Qualquer tentativa de discussão que não esteja no quadradinho do mercado da Faria Lima é uma grita contra. O presidente não tem direito de conhecer teses diferentes? O que é inaceitável é continuar no patamar de justo que nós pagamos”, afirmou.
Os dados do Caged mostram que quatro dos grandes setores da economia tiveram saldo positivo na criação de empregos formais em setembro. A agropecuária foi a exceção, com o fechamento de 4.381 postos de trabalho.
O setor de serviços apresentou o melhor desempenho em números absolutos, com a abertura de 81,2 mil vagas. Na sequência aparece a indústria, que registrou saldo positivo de 19,3 mil empregos.
O comércio varejista também terminou o mês no azul, com 9.435 contratações a mais do que desligamentos. Apesar disso, o setor ainda acumula resultado negativo em 2026, com o fechamento de 31,6 mil postos formais.
Na distribuição regional, o Rio Grande do Sul foi o único estado a apresentar retração no saldo de empregos com carteira assinada em setembro. A queda foi de 0,1%, influenciada principalmente pelo desempenho da fabricação de produtos de fumo e do comércio varejista.
As maiores altas proporcionais no mês foram registradas em Alagoas, com crescimento de 2,47%, seguido pelo Amapá, com 1,35%, e por Roraima, com 1,23%.
No acumulado de janeiro a setembro, o Amapá liderou a expansão do emprego formal, com avanço de 7,75%. Roraima apareceu em seguida, com 4,54%, enquanto o Piauí registrou crescimento de 4,52%. E mais: Tornado atinge Chapecó (SC). Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)
