
A reação do mercado financeiro ao resultado das eleições presidenciais provocou uma das sessões mais turbulentas da história na Bolsa brasileira.
Nesta segunda-feira (26), após o anúncio do TSE da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa despencou 13,88%, encerrando o pregão aos 176.608,23 pontos. A queda refletiu a frustração de investidores que viam em Flávio Bolsonaro (PL) uma perspectiva de mudança na condução da política fiscal do país.
O recuo correspondeu a uma perda de 28.474,33 pontos em apenas um dia. Durante as negociações, o principal índice da B3 chegou a cair 17,34%, ficando abaixo da marca de 170 mil pontos.
A dimensão do movimento levou a bolsa a acionar o mecanismo de ‘circuit breaker’ logo no início do pregão, suspendendo as operações por 30 minutos. Foi a primeira interrupção desse tipo em mais de seis anos.
A queda percentual registrada no fechamento foi a mais intensa desde março de 2020, quando o avanço da pandemia de Covid-19 provocou fortes turbulências nos mercados internacionais.
Na série histórica do Ibovespa, o maior recuo diário continua sendo o de 10 de setembro de 1998, quando o índice perdeu 15,83% em meio à crise financeira russa.
O impacto sobre o patrimônio das empresas foi expressivo. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, o valor de mercado agregado das companhias negociadas na B3 encolheu R$ 734 bilhões em um único pregão, passando de R$ 5,684 trilhões, na sexta-feira (23), para R$ 4,950 trilhões nesta segunda-feira.
A retração foi de 12,91%, equivalente a aproximadamente 98,4% do valor de mercado da Petrobras.
Com o tombo, mais de 75% dos ganhos acumulados pelas empresas listadas na bolsa em 2026 foram eliminados. O movimento também anulou a valorização registrada desde o primeiro turno das eleições presidenciais.
Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado consolidado das companhias havia aumentado R$ 409 bilhões, saindo de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões. A perda desta segunda-feira não apenas consumiu todo esse avanço, como deixou o montante R$ 325 bilhões abaixo do patamar registrado no último pregão anterior ao primeiro turno.
O volume financeiro movimentado durante a sessão chegou a R$ 88,6 bilhões, aproximadamente três vezes a média diária do mercado. A pressão vendedora atingiu a maior parte das ações que compõem o Ibovespa: 68 dos 76 papéis terminaram o dia no vermelho.
Entre as maiores baixas, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) recuaram 58,23%. Os papéis da Vamos (VAMO3) caíram 56,79%, enquanto os da Hapvida (HAPV3) registraram desvalorização de 54,93%.
O setor bancário também sofreu perdas relevantes. As ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) tiveram queda de 29,33%, e as units do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 24,83%. Já os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) perderam 21,70%, enquanto os do Itaú Unibanco (ITUB4) encerraram o pregão com baixa de 13,66%.
No mercado de câmbio, o dólar à vista avançou 8,21%, fechando cotado a R$ 5,4027. Foi a maior alta diária desde 1999, segundo os dados apresentados para a sessão.
A valorização da moeda americana refletiu a procura por proteção diante das incertezas dos investidores sobre os rumos da economia brasileira após o resultado eleitoral.
Os juros futuros também dispararam ao longo de toda a curva, reforçando o cenário de aversão ao risco que marcou o mercado financeiro nesta segunda-feira. E mais: Lula já promete regular big techs após suposta ‘interferência’ no processo eleitoral. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; InfoMoney)
