O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá, fez críticas à condução da campanha de Lula (PT) para a eleição de 2026.

Para o dirigente petista, a comunicação do adversário Flávio Bolsonaro (PL) estaria mais conectada a situações concretas enfrentadas pelos eleitores, enquanto a campanha de Lula estaria priorizando assuntos de difícil compreensão para parte da população.

Quaquá citou como exemplo o discurso sobre terras raras, tema que vem sendo explorado pelo governo e pela campanha petista, mas que, segundo ele, tem pouca conexão com as preocupações imediatas do eleitor. Em contraponto, mencionou a estratégia adotada por Flávio Bolsonaro em aparições públicas e na televisão.

“O Flávio Bolsonaro vai para a televisão e aparece dentro de um supermercado falando da vida real, concreta, que, aliás, era muito pior no governo do pai dele. Ele vai lá fazer fake news, mas falando de coisas do dia a dia, e nós falando de terras-raras”, disse. Vale lembrar que Lula, nos últimos dias, assumiu que a inflação está alta.

Na avaliação do prefeito, a campanha de Lula deveria concentrar esforços na apresentação das ações realizadas pelo governo e em assuntos que façam parte da rotina dos brasileiros. Em uma publicação nas redes sociais, Quaquá defendeu uma mudança na comunicação do presidente.

“Nós temos que viver a vida do povo, falar a coisa do povo. Enfim, tem que falar disso e sair dessa ideologia boba, fora da vida das pessoas. Está difícil dialogar. Já passou da hora da campanha do presidente Lula parar de falar de ideologia e começar a falar das entregas do governo”, afirmou.

Em seguida, o dirigente reforçou a necessidade de aproximar o discurso petista das questões que considera relevantes para a população. “Tem que falar da vida do povo, sair dessa ideologia boba, falar do que importa”, complementou.

Quaquá também questionou a estratégia de eventos políticos voltados principalmente ao público que já demonstra simpatia pelo PT. Em outro vídeo publicado nas redes sociais, ele comentou sobre um evento previsto no Rio de Janeiro com a participação de Lula e artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso. Embora tenha elogiado os dois, o prefeito afirmou que uma iniciativa desse tipo teria alcance limitado para conquistar novos eleitores.

“É pregar para convertidos. É falar para quem já praticamente vota na gente para o nosso universo”, afirmou.

Além das críticas ao conteúdo da campanha, Quaquá reclamou da falta de articulação entre a coordenação nacional da candidatura de Lula e as lideranças petistas do Rio de Janeiro. Ele foi escolhido como um dos coordenadores da campanha presidencial no estado, mas afirma que não estaria participando efetivamente das decisões.

“Tá foda esse negócio, tá difícil de diálogo, porque não tem coordenação, não tem gente pra dialogar, a gente não consegue discutir política, aqui no Rio mesmo, eu tô fazendo pesquisa quantitativa, qualitativa direto, e eu não tenho com quem falar, porque não tem coordenação”, disse.

O prefeito afirmou ainda que não tem conseguido apresentar à campanha nacional os levantamentos e avaliações que vem realizando no Rio. Apesar das críticas, disse estar disposto a contribuir com a candidatura.

“Quero dizer o seguinte, eu estou aqui no Rio de Janeiro, disposto a ajudar a campanha. Fui, entre aspas, posto coordenador da campanha, mas não há coordenação, qualquer relação com a coordenação nacional. Nós não somos ouvidos para nada”, declarou.

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