Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os cartões de crédito com limite de R$ 300 mil que teriam sido oferecidos pelo Banco Master a seus filhos nunca foram utilizados. A informação consta da defesa apresentada por Moraes ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

O assunto aparece em meio a mensagens identificadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Os diálogos mencionam tratativas entre um funcionário do escritório de advocacia ligado à família de Moraes e um representante da instituição financeira para a emissão dos cartões destinados aos filhos do ministro, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, que também são advogados.

Ao rebater as informações, Moraes afirmou que a emissão dos cartões não representou uma vantagem efetivamente usufruída por seus filhos.

Segundo o ministro, o banco teria enviado os cartões de maneira espontânea, dentro de uma prática comercial que, em sua avaliação, é adotada por outras instituições financeiras. Ele afirmou que isso ocorre “como tantos outros bancos fazem normalmente, inclusive enviando sem que as pessoas peçam”.

Moraes também questionou a maneira como as informações foram apresentadas no material da investigação. Para ele, o relatório da PF teria dado destaque às mensagens sem considerar que os cartões não chegaram a ser utilizados.

O ministro classificou essa abordagem como “direcionada” e afirmou que determinados elementos foram selecionados de modo a sustentar uma interpretação que considera equivocada.

Na defesa de 44 páginas encaminhada a Fachin, Moraes acusou ainda a investigação de retirar mensagens de seu contexto e fazer interpretações que, segundo ele, contribuiriam para a criação de uma “falsa narrativa”. O ministro sustentou que o objetivo seria associar os fatos a uma possível irregularidade e atingir sua imagem e atuação institucional no Supremo.

Outro argumento apresentado por Moraes diz respeito ao sigilo profissional. A defesa afirma que a divulgação de conversas relacionadas ao trabalho do escritório de advocacia da família pode atingir a inviolabilidade garantida à atividade dos advogados pela Constituição e pelo Estatuto da OAB.

O ministro também citou o episódio como exemplo do que chamou de “direcionamento das investigações” para produzir “narrativas falsas”. E mais: Flávio realiza motociata gigante em Belém. Clique AQUI para ver.

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