
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou neste sábado (8), durante um ato de campanha em Itapetininga, no interior de São Paulo, que pretende indicar homens e mulheres para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito. Em uma tentativa de dialogar com o eleitorado feminino, o senador prometeu escolher ministros que respeitem a Constituição e não utilizem o cargo para perseguir adversários.
“O próximo presidente indica quatro ministros do STF e vou colocar lá homens e mulheres, que respeitam a Constituição, que não usem a máquina para enriquecer, que não promovam perseguição, que não façam mais com nenhum brasileiro o que eles fizeram com Jair Bolsonaro. A lei tem que valer para todos, inclusive para ministro do STF”, disse ele.
Atualmente, apenas uma das 11 cadeiras do Supremo é ocupada por uma mulher, a ministra Cármen Lúcia. Ao longo da história da Corte, outras duas mulheres foram nomeadas: Ellen Gracie, em 2000, e Rosa Weber, em 2011.
Durante o atual mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou três homens para o tribunal. Um deles, o advogado-geral da União, Jorge Messias, teve seu nome rejeitado pelo Senado, e a vaga permanece aberta. As escolhas de Lula provocaram críticas de movimentos sociais e de organizações ligadas à defesa da maior participação feminina no Supremo.
Flávio também voltou a confrontar publicamente os ministros da Corte durante o evento. Sem mencionar nomes, afirmou que integrantes do tribunal não deveriam exercer atividade política.
“Se ministro do Supremo quer fazer política, vamos responder na política. Se quer ser presidente do Brasil, renuncia e se candidata. Se quer mandar no Senado, renuncia e se candidata”, continuou.
A ofensiva contra o STF foi acompanhada por críticas ao governo Lula e pela defesa de uma política mais rígida de segurança pública. Flávio afirmou que pretende combater o narcotráfico e classificar organizações criminosas como terroristas caso chegue à Presidência.
O candidato também defendeu o direito ao armamento e afirmou que o brasileiro deve ter meios para proteger a própria família e seu patrimônio.
“Mais 4 anos de PT e o Brasil vai se tornar uma Venezuela ou uma Grécia. O povo vai ficar sem liberdade. Marginais vão tomar conta das ruas, vão invadir nossas casas. Eles desarmaram o povo brasileiro, que nem o direto de se defender hoje tem mais. Vamos resgatar isso”, atacou ele.
“Está escrito na Bíblia e na Constituição, qualquer brasileiro tem direito de se defender, defender sua família, sua propriedade”, continuou.
Durante o discurso, Flávio também retomou o episódio do ataque sofrido por Jair Bolsonaro, durante a campanha presidencial de 2018. O senador voltou a associar o ataque ao ambiente político da esquerda, embora a investigação da Polícia Federal tenha concluído que Adélio Bispo agiu sozinho.
“Foi um ex-integrante do PSOL que tentou assassinar Bolsonaro. A história da esquerda é marcada com situações assim. Quase sempre a vítima é alguém de direita”, disse ele.
Em outro momento, Flávio afirmou esperar uma campanha eleitoral intensa, mas disse desejar que o processo não seja marcado por violência.
“Faltam 57 dias para as eleições. É muito rápido. Vão ser intensos. Espero que não sejam violentos. Mais uma vez, do lado de lá, estou esperando tudo e preparado para tudo. Mas Deus está no comando, não vai deixar nada acontecer”, disse Flávio.
O candidato ainda adotou um discurso de forte conteúdo religioso ao criticar o governo federal. Segundo ele, o país atravessa uma crise moral e seria necessário, em sua avaliação, promover uma mudança política e espiritual.
“Está escrito na Bíblia e na Constituição, qualquer brasileiro tem direito de se defender, defender sua família, sua propriedade”, continuou.
Em outro trecho, afirmou que pretende colocar a religião como parte de sua atuação política caso seja eleito e disse que fará uma oração durante a posse.
“Porque nós não estamos disputando voto, nós não vamos disputar só uma eleição, quero trabalhar para recuperar almas, o Brasil está doente na sua alma. É uma crise moral generalizada, porque o mau exemplo vem de cima. É um governo que parece que faz pacto com demônio. Nós vamos expulsar esses demônios daquela praça dos Três Poderes”, disse ele.
Flávio chegou ao evento por volta das 10h30. A atividade foi organizada pela deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), ex-prefeita de Itapetininga e uma liderança com influência entre eleitores religiosos, especialmente católicos.
Também participaram do ato o deputado federal Maurício Neves, presidente estadual do PP em São Paulo; o deputado federal Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado pelo Estado; e o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e também candidato ao Senado.
Entre os produtos comercializados no local estavam bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel, além de bonés verdes e amarelos com o nome de Flávio Bolsonaro.
A agenda faz parte da estratégia do PL para ampliar a aceitação de Flávio entre as mulheres, segmento no qual o candidato apresenta desempenho inferior ao de Lula nas pesquisas eleitorais.
Na quarta-feira (5), ao falar sobre o relacionamento com suas duas filhas, Flávio fez uma declaração que também repercutiu. O senador afirmou que as criou pensando em receber cuidados delas quando chegar à velhice.
“Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade.”
A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser candidato a vice-presidente na chapa, anunciada na quarta-feira, ocorreu depois de Flávio ter considerado a possibilidade de indicar uma mulher para a posição durante a fase de pré-campanha. E mais: Desistiu de desistir: Cleitinho será candidato ao governo de MG. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Folha de SP)
