
A imprensa venezuelana voltou a destacar um alerta feito há mais de duas décadas sobre a vulnerabilidade sísmica de regiões que foram duramente atingidas pelos terremotos recentes no país.
Um relatório elaborado por especialistas japoneses em 2005 foi entregue ao então presidente Hugo Chávez e já chamava atenção para o risco elevado em áreas como Caracas e La Guaira — justamente os locais que registraram os maiores danos na última semana.
O estudo apontava que a combinação entre a localização das cidades, o tipo de solo — capaz de intensificar os efeitos dos tremores — e falhas no planejamento urbano e nas construções criava um cenário crítico. Segundo o documento, a maioria dos edifícios da capital não tinha condições adequadas para resistir a um terremoto de grande intensidade.
O relatório chegou a estimar que um evento sísmico severo poderia provocar até 20 mil mortes, caso medidas preventivas não fossem adotadas. Entre as recomendações estavam a revisão do planejamento urbano, o reforço de estruturas já existentes e a imposição de normas mais rígidas para novas construções.
A referência ao estudo ganhou força após o novo terremoto expor novamente a fragilidade de parte da infraestrutura local. De acordo com dados oficiais do governo venezuelano, mais de 15 mil pessoas ficaram desalojadas e pelo menos 189 edifícios sofreram colapso total.
As autoridades também informaram que cerca de 28 mil moradores ainda não puderam retornar às suas casas, enquanto aguardam inspeções técnicas que confirmem a segurança das estruturas e descartem o risco de novos desabamentos.
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