
Alexandre de Moraes determinou a abertura de uma investigação específica para analisar informações extraídas de aparelhos celulares do advogado Frederick Wassef, ex-defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os dispositivos haviam sido apreendidos pela Polícia Federal no inquérito que investiga o suposto ‘desvio de joias sauditas’ e presentes recebidos durante o governo Bolsonaro.
A decisão ocorre após a Polícia Federal informar a identificação de possíveis fatos que, diz a corporação, não teriam relação direta com o objeto inicial da investigação.
“Do exame das razões apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, verifico que os fatos noticiados pela Polícia Federal não possuem conexão com o objeto destes autos. Diante do exposto, desentranhe-se as informações encaminhadas pela Polícia Federal e autue-se petição autônoma e sigilosa”, decidiu Moraes.
Em março deste ano, o ministro já havia encaminhado os dados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise.
No parecer apresentado, o órgão defendeu a continuidade das apurações para examinar supostas infrações relacionadas ao material encontrado nos aparelhos.
Segundo a PGR, a investigação seria necessária para “que se avalie as hipóteses criminais cogitadas”, ressaltando que os elementos identificados não possuem “conexão ou pertinência” com a investigação principal envolvendo as joias.
De acordo com a Polícia Federal, uma análise complementar dos dados obtidos nos celulares de Wassef identificou “eventos fortuitos” que, pela natureza das informações encontradas, exigiriam investigação própria.
O caso original apurava um suposto esquema para venda irregular de joias e bens de luxo que Bolsonaro recebeu de presente quando era presidente e que supostamente deveriam ser encaminhados ao acervo da União.
Frederick Wassef e Jair Bolsonaro chegaram a ser indiciados no inquérito que trata do suposto desvio de presentes recebidos do governo da Arábia Saudita.
Em março, porém, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou o arquivamento da investigação das joias.
No pedido, ele lembrou que a legislação brasileira não estabelece de forma clara a propriedade de presentes recebidos por presidentes da República durante o exercício do cargo, gerando dúvidas sobre se os itens pertencem ao chefe do Executivo ou ao patrimônio da União. (Foto: EBC; Fonte: Metrópoles)
