
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu prorrogar por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), em decisão tomada nessa terça-feira (23). O limite total das cotas foi fixado em US$ 463 milhões. Segundo o governo, a medida está alinhada às políticas de descarbonização e renovação da frota no país.
Na prática, a decisão mantém condições mais favoráveis para empresas que utilizam o modelo de montagem parcial no Brasil, especialmente a montadora chinesa BYD, que iniciou operações em sua fábrica em Camaçari (BA) com veículos chegando parcialmente montados para finalização no território nacional.
Apesar do argumento oficial de incentivo à transição energética, a medida foi duramente criticada por montadoras tradicionais instaladas no país. O setor avalia que a prorrogação representa um retrocesso em relação ao cronograma de elevação das tarifas de importação para veículos prontos, que deve atingir 35% a partir de julho.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma que a decisão cria distorções na concorrência e prejudica a indústria local. A entidade também reclama que não teria sido consultada antes da definição do governo.
Em nota, a associação declarou que o novo modelo “é contrário aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”, afirmando ainda que diversas entidades do setor se posicionaram contra a prorrogação.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, chegou a indicar a possibilidade de acionar a Justiça caso o benefício fosse mantido, em entrevista concedida na véspera da reunião da Camex.
O debate ocorre em meio ao avanço acelerado das marcas chinesas no mercado brasileiro. Segundo dados do setor, os emplacamentos de veículos importados cresceram 17,4% nos cinco primeiros meses do ano, com destaque para o aumento de 86,6% nos modelos vindos da China.
A expansão da BYD ajuda a explicar a reação do setor tradicional. A empresa saltou de 260 veículos vendidos em 2022 para mais de 21 mil emplacamentos em maio deste ano, crescimento superior a 5.000%, segundo dados da Fenabrave.
Com esse desempenho, a montadora já ocupa a quarta posição no ranking de vendas de automóveis no Brasil, com participação de mercado de 8,5%.
O interesse do público também reflete essa ascensão. Dados do Google Trends mostram que as buscas pela BYD já superam a maioria das concorrentes tradicionais, como Chevrolet, Volkswagen e Hyundai, ficando atrás apenas da Fiat em determinados períodos recentes. E mais: Além dos gramados: Ronaldinho Gaúcho já compôs quase 100 músicas. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Gazeta do Povo)
