O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez críticas públicas nessa segunda-feira (22) à atuação do colega André Mendonça no contexto de negociações envolvendo a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para Gilmar, houve um “erro crasso” na conduta atribuída ao magistrado.

Segundo o decano da Corte, a condução de acordos de colaboração deve ficar restrita à Polícia Federal e ao Ministério Público, sem participação do juiz responsável pelo caso.

“Na conversa que nós tivemos, por exemplo, disse-se que o André Mendonça tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade, porque a lei não permite que o relator participe, ou que o juiz participe, da delação entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator”, afirmou durante entrevista ao programa Roda Viva.

Gilmar reforçou a crítica ao dizer que “Então, aqui já há algo de erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado.”

A expressão “delação seletiva” foi citada por André Mendonça durante voto em julgamento que analisava recursos de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo de Daniel Vorcaro, contra decisões de prisão preventiva. Segundo o ministro, o episódio mencionado não envolveu o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, que deixou a defesa do caso em maio.

Mendonça também declarou que a defesa chegou a apresentar a ele uma proposta inicial de colaboração premiada, embora tenha afirmado não ter tido acesso ao conteúdo do material.

Gilmar Mendes avaliou ainda que as negativas apresentadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República tornam, por ora, pouco provável a homologação de uma nova delação envolvendo Vorcaro. Ainda assim, ponderou que o cenário pode mudar conforme o avanço das investigações. “As coisas podem mudar”, disse o ministro.

Nos bastidores, Vorcaro teria indicado a interlocutores que prepara uma nova tentativa de colaboração, desta vez com um conjunto de informações mais robusto. A expectativa é de que o material seja apresentado nos próximos dias à Polícia Federal.

Enquanto isso, investigadores avaliam com cautela as possibilidades de avanço do acordo. Há, segundo fontes da corporação, a necessidade de que qualquer eventual delação apresente elementos verificáveis e consistentes, sem omissões relevantes.

Na avaliação interna da PF, ainda existem dúvidas sobre a capacidade de o ex-banqueiro trazer informações novas em relação às tentativas anteriores de colaboração. E mais: Alex Escobar passa mal ao vivo na Globo e é internado nos EUA. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: CNN)

 

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