
A proposta de emenda à Constituição que prevê mudanças na escala de trabalho 6×1 continua sem avanços no Senado Federal.
Nos bastidores, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sinalizado a aliados que qualquer movimentação mais relevante sobre o tema deverá ocorrer apenas após uma conversa com Luiz Inácio Lula da Silva para alinhar as prioridades da pauta legislativa. A informação é do colunista Caio Junqueira, da CNN>
Segundo informações do jornalista, o encontro ainda não tem data definida, o que mantém a proposta em compasso de espera.
Embora tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, a PEC ainda não foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O colegiado é presidido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), considerado próximo ao Palácio do Planalto e favorável à tramitação da matéria. No entanto, a análise depende de despacho formal da presidência da Casa.
Além da falta de encaminhamento à comissão, também não ocorreu a reunião com líderes partidários que Alcolumbre havia indicado na semana anterior para discutir o rito de tramitação da proposta. Outro encontro previsto com Otto Alencar, que serviria para tratar da escolha do relator da PEC, acabou sendo cancelado.
O cenário evidencia que, apesar do discurso favorável de integrantes do governo e de parlamentares aliados, a matéria ainda enfrenta obstáculos políticos e burocráticos antes de avançar efetivamente no Senado.
Para o governo Lula, a proposta possui forte relevância política. Integrantes do Planalto veem a alteração populista da jornada de trabalho como uma das principais bandeiras a serem apresentadas ao eleitorado durante a campanha pela reeleição do presidente.
A pressa do Executivo está relacionada ao calendário previsto no próprio texto. A PEC estabelece que as mudanças entrem em vigor 60 dias após a promulgação. Dessa forma, o governo trabalha para que a aprovação ocorra antes do recesso parlamentar, marcado para começar em 19 de julho.
Se esse cronograma for cumprido, a expectativa de aliados do petista é que os eleitores cheguem ao primeiro turno das eleições de outubro já percebendo os efeitos imediatos da nova regra trabalhista, o que poderia fortalecer o discurso governista durante a disputa eleitoral. Já os efeitos colaterais do fim da 6×1, alertados por inúmeros setores, leva mais um tempo e fica para depois das eleições.
Enquanto isso, a proposta permanece parada no Senado, à espera de definições políticas que ainda dependem do aval da presidência da Casa. E mais: Veja como ficou julgamento no TSE da pesquisa AtlasIntel envolvendo Flávio Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: Ag. Senado; Fonte: CNN)
