
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sivis revelou que a maior parte dos brasileiros acredita haver limitações para críticas públicas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o levantamento, 57,5% dos entrevistados consideram que acusar publicamente a Corte de prejudicar a democracia é uma conduta proibida no país. Em 2023, esse percentual era de 35%, indicando uma alta significativa em apenas três anos.
O estudo foi realizado em abril e ouviu 1.109 pessoas. Para a pesquisadora Sara Clem, responsável pela análise dos dados, o crescimento dessa percepção está relacionado não apenas ao desconhecimento sobre os limites legais da liberdade de expressão, mas também ao ambiente de forte polarização política vivido pelo país.
Na avaliação da pesquisadora, os frequentes embates entre o STF e o Congresso Nacional, as investigações envolvendo desinformação e a ampla cobertura desses temas pela imprensa contribuíram para criar a sensação de que manifestações sobre a atuação da Corte podem trazer consequências.
Segundo Clem, a percepção de risco é reforçada por episódios recentes que ganharam visibilidade pública, envolvendo tanto cidadãos quanto políticos que fizeram críticas ao Judiciário e acabaram sendo alvo de investigações.
O levantamento também identificou que 61,7% dos entrevistados acreditam ser proibido criticar publicamente figuras públicas em geral. Para Sara Clem, o dado sugere a existência de um medo concreto de sofrer consequências como censura, ações judiciais ou até mesmo campanhas de cancelamento nas redes sociais.
Outro aspecto observado pelo estudo envolve a escolaridade dos entrevistados. Os pesquisadores identificaram que pessoas com maior nível de instrução tendem a demonstrar mais apoio a restrições de determinados tipos de discurso.
A pesquisa também apontou diferenças geracionais. Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, metade apresentou perfil considerado mais favorável à imposição de limites à liberdade de expressão. Segundo a pesquisadora, isso pode estar ligado ao ambiente de debates intensos e permanentes nas redes sociais. E mais: Urgente: Novo boletim médico de Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Gazeta do Povo)
