
Criminosos estão utilizando recursos oficiais do sistema financeiro para aplicar uma nova versão do chamado “golpe do Pix errado”, esquema que pode causar prejuízo em dobro às vítimas. A fraude explora o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central justamente para auxiliar na recuperação de valores em casos de golpes e transações fraudulentas.
Embora o golpe do Pix errado já fosse conhecido, especialistas alertam que a modalidade ganhou novas características com a evolução dos sistemas de pagamento instantâneo e dos mecanismos de rastreamento bancário.
Segundo o portal TechTudo, a estratégia começa com uma transferência verdadeira para a conta da vítima. O valor pode ser enviado pelo próprio golpista, por uma conta intermediária, por uma chamada “conta laranja” ou até mesmo por terceiros envolvidos em outras fraudes.
Pouco depois, o criminoso entra em contato alegando que realizou a transferência por engano e pede que o dinheiro seja devolvido com urgência. Para convencer a vítima, costuma utilizar argumentos emocionais, como emergências familiares, necessidade de pagamento imediato ou supostos erros bancários.
O principal erro ocorre quando a pessoa faz uma nova transferência para uma chave Pix indicada pelo suposto remetente. É justamente nesse momento que o golpe se completa.
Após receber o valor devolvido manualmente, o criminoso pode solicitar ao banco a abertura de um procedimento por meio do Mecanismo Especial de Devolução, alegando que a transferência original foi fraudulenta. Dependendo da análise da instituição financeira, o valor inicialmente recebido pela vítima pode ser bloqueado ou devolvido, fazendo com que ela perca tanto o dinheiro enviado na segunda transferência quanto o montante da operação original.
Especialistas destacam que um dos aspectos mais preocupantes desse golpe é que ele não depende da invasão da conta bancária da vítima. Não há necessidade de roubo de senhas, instalação de programas maliciosos ou acesso indevido ao aplicativo do banco. Toda a fraude é baseada em engenharia social e manipulação psicológica.
Desde fevereiro de 2026, o MED passou a operar com recursos ampliados de rastreamento por meio da atualização conhecida informalmente como MED 2.0, permitindo acompanhar com mais precisão o caminho percorrido pelo dinheiro entre diferentes contas. A ferramenta foi desenvolvida para combater fraudes, mas criminosos passaram a tentar se aproveitar do sistema para criar situações que confundem vítimas e instituições financeiras.
A principal recomendação dos especialistas é nunca realizar uma transferência manual para devolver um Pix recebido por engano. Quando uma transferência legítima precisa ser devolvida, o procedimento correto é utilizar exclusivamente a função “Devolver”, disponível dentro do próprio comprovante da transação no aplicativo bancário.
Esse recurso mantém o vínculo entre a transferência original e a devolução, garante a rastreabilidade da operação e impede que o dinheiro seja enviado para uma conta diferente daquela que realizou o pagamento inicial.
Outro sinal de alerta é quando a pessoa que entrou em contato solicita que a devolução seja feita para uma chave Pix diferente da utilizada na transferência original. Especialistas afirmam que essa é uma das características mais comuns do golpe e deve ser encarada como forte indício de fraude.
Com a popularização do Pix e o crescimento constante das transações instantâneas no Brasil, autoridades e instituições financeiras reforçam a orientação para que usuários redobrem a atenção diante de pedidos urgentes de devolução de valores, especialmente quando envolvem contatos por WhatsApp, telefone ou redes sociais.
