
As despesas do governo federal com diárias, passagens e deslocamentos somaram R$ 3,88 bilhões em 2025, de acordo com dados oficiais da administração pública. O valor representa uma alta real de 3,7% em relação ao ano anterior e alcança o maior patamar em mais de uma década.
Dentro desse total, os gastos com passagens e locomoção chegaram a R$ 1,63 bilhão, enquanto as despesas com diárias atingiram R$ 2,25 bilhões. A série histórica do Tesouro Nacional indica que o nível atual é o mais elevado desde 2014.
A maior parte dos desembolsos está concentrada em viagens nacionais, que somaram R$ 1,8 bilhão. Já as viagens internacionais responderam por R$ 249 milhões. Outros R$ 418 milhões aparecem classificados como “informações protegidas por sigilo”, sem detalhamento dos servidores envolvidos.
Entre os órgãos que mais concentram despesas sob sigilo, a Polícia Federal lidera com R$ 251 milhões, seguida pela Polícia Rodoviária Federal, com R$ 120 milhões. O Ministério da Justiça registrou R$ 39,7 milhões, enquanto o Ministério da Defesa aparece com R$ 280 mil.
No cenário internacional, algumas missões chamaram atenção pelos custos elevados. Uma viagem do almirante Renato de Aguiar Freire a Singapura, para participação em evento de defesa, teve custo aproximado de R$ 260 mil. Desse total, R$ 246 mil foram destinados a passagens.
Outro deslocamento de destaque foi o de Pietro Sampaio Mendes, então presidente do conselho da Petrobras, com agenda nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, ao custo de R$ 246 mil, sendo R$ 229 mil apenas em passagens aéreas.
A diretora-executiva da presidência da COP30, Ana Toni, também realizou viagens oficiais a países como Índia, Etiópia, China e Austrália.
Entre os destinos mais frequentes e mais caros aparecem Paris, com R$ 12,7 milhões em passagens, Genebra, com R$ 11,2 milhões, além de Washington, com R$ 7,9 milhões, e Pequim, com R$ 7,7 milhões. O levantamento também identifica deslocamentos para cidades menos usuais em agendas brasileiras, como Kigali, Ilhas Maurício e Cotonou.
Em nota, a Presidência da República afirmou que os gastos seguem a legislação vigente e estão relacionados à execução de políticas públicas. O governo também destacou que parte das restrições de acesso às informações está amparada na Lei de Acesso à Informação (LAI), com o objetivo de preservar investigações e atividades de inteligência. A gestão ainda argumenta que análises isoladas dos números podem levar a interpretações distorcidas.
Os dados expõem a manutenção de gastos elevados com viagens na administração federal e ampliam o questionamento sobre a gestão dos recursos públicos. E mais: Rússia diz que colocará em operação míssil nuclear Sarmat, “mais poderoso do mundo”. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC)
