
Cidade do México registra afundamento acelerado e preocupa cientistas
A Cidade do México está afundando a uma taxa que chama atenção de pesquisadores internacionais. Segundo medições recentes da Nasa, divulgadas nesta semana, algumas regiões da capital mexicana cedem cerca de dois centímetros por mês, o equivalente a aproximadamente 24 centímetros por ano.
O fenômeno, embora conhecido há mais de um século, passou a ser monitorado com maior precisão por meio de tecnologia espacial avançada. O sistema de radar utilizado permite acompanhar alterações milimétricas na superfície terrestre, mesmo em áreas cobertas por nuvens ou vegetação densa.
“O Nisar levou a outro nível as observações da Terra”, afirmou o cientista Marin Govorcin, do Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa. “Ele consegue ver qualquer mudança, grande ou pequena, que acontece na Terra de uma semana para outra. Nenhuma outra missão imagética consegue fazer isso.”
Efeitos já aparecem no centro histórico
Os impactos do afundamento não são apenas técnicos: eles já estão visíveis em pontos emblemáticos da cidade. Na região central, construções históricas apresentam inclinações perceptíveis, com estruturas que há décadas vêm sendo ajustadas para compensar o deslocamento do solo.
Entre os exemplos mais conhecidos está o monumento “Anjo da Independência”, na Avenida Paseo de la Reforma, que ao longo do tempo precisou de adaptações na base para se manter estável. Situação semelhante ocorre em diferentes áreas da metrópole, que abriga cerca de 22 milhões de habitantes.
O problema também afeta infraestrutura essencial, como vias urbanas, sistemas de transporte e redes de água.
“O problema afeta toda a infraestrutura urbana da cidade: as ruas, as tubulações para distribuição de água e as próprias reservas de água”, afirmou em entrevista ao jornal britânico The Guardian o engenheiro Efraín Ovando Shelley, da Universidade Nacional do México.
Causa está ligada ao uso da água subterrânea
Especialistas apontam que o principal fator por trás do afundamento é a extração intensiva de água do subsolo. A cidade foi construída sobre antigos leitos de rios, o que deixa o solo mais instável. Com o bombeamento constante de água do aquífero subterrâneo, o terreno perde sustentação e passa a se compactar.
Esse aquífero ainda responde por cerca de metade do abastecimento da capital. O desequilíbrio entre a retirada de água e a reposição natural pelas chuvas agrava o problema, que tende a se intensificar com períodos de seca mais frequentes.
Segundo especialistas, o processo cria um ciclo difícil de reverter: o solo cede, tubulações se rompem e parte da água distribuída é perdida. Estima-se que até 40% do volume bombeado seja desperdiçado por vazamentos.
Um cenário de difícil reversão
O avanço do afundamento levanta preocupações sobre o futuro da cidade. Além dos danos estruturais, há impactos diretos no abastecimento e na segurança urbana.
“Para deter o afundamento precisaríamos suspender a extração de água”, explicou Shelley. “Mas se pararmos a extração de água, que água vamos beber? A piada recorrente é que, se não pudermos beber água, bem, vamos tomar tequila.”
O monitoramento por satélite reforça a dimensão do problema enfrentado pela Cidade do México, onde o afundamento do solo deixou de ser um fenômeno gradual para se tornar um alerta contínuo. Especialistas destacam que, sem mudanças estruturais no uso da água, o cenário tende a se agravar nos próximos anos. E mais: Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 34 milhões no 1º trimestre. Clique AQUI para ver. (Foto: Cidade do México / Wikimedia Commons)
