
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou nesta segunda-feira (6/7) que a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos pode atingir em cheio as exportações brasileiras, caso sejam confirmadas as propostas em discussão no país norte-americano.
Segundo a entidade, aproximadamente 4.187 produtos brasileiros seriam impactados, o que representa cerca de US$ 14,9 bilhões em vendas externas.
Atualmente, esses itens já estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, prevista na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, com validade até 24 de julho.
As medidas em análise envolvem duas frentes distintas: uma investigação que sugere uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e outra apuração relacionada a práticas de trabalho forçado, que poderia resultar em um adicional de 12,5%.
Caso ambas sejam aprovadas, a carga tarifária total sobre os produtos chegaria a um aumento de 27,5 pontos percentuais, elevando a taxação final para até 37,5%.
De acordo com a CNI, cerca de 62% dos itens afetados são bens intermediários, ou seja, insumos utilizados em cadeias produtivas industriais. O impacto, segundo a entidade, poderia se espalhar por setores estratégicos, já que o Brasil é um dos principais fornecedores de 11 categorias de produtos no mercado norte-americano.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o aumento das tarifas pode gerar efeitos negativos também para a economia dos Estados Unidos.
“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, disse.
O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública marcada para 7 de julho, em Washington, que discutirá a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Entre os 80 participantes inscritos, 66 devem se posicionar contrários à medida.
A entidade também reforça sua posição de que a elevação das tarifas não encontra justificativa econômica ou jurídica consistente.
“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, afirmou Alban. E mais: Datafolha mostra Tarcísio muito perto de uma vitória já no 1º turno. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Estadão)
