A Vivo iniciou nessa segunda-feira (26) uma parceria com a Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, para oferecer conexão móvel em regiões do Brasil onde não há cobertura convencional.

Batizado de Vivo Satélite, o serviço utiliza a tecnologia D2D (direct to device), que permite a comunicação direta entre celulares compatíveis e satélites, sem a necessidade de antenas ou roteadores instalados em terra.

A novidade será disponibilizada sem cobrança adicional durante 12 meses para clientes de todos os planos pós-pagos e de determinados pacotes controle e pré-pagos. A estimativa da operadora é alcançar cerca de 50 milhões de consumidores nesta primeira etapa, quase metade de sua base total de 105 milhões de linhas móveis.

No segmento corporativo, a conexão será oferecida gratuitamente por três meses. Depois desse período, as empresas interessadas poderão contratar o serviço separadamente.

A iniciativa marca uma nova etapa da expansão da Starlink no mercado brasileiro. A companhia já possui mais de 10 milhões de clientes de internet fixa em todo o mundo, e o Brasil se tornou seu segundo maior mercado, com mais de 1 milhão de acessos. Até agora, esse serviço dependia de equipamentos instalados no solo para receber o sinal dos satélites.

Com a tecnologia D2D, a proposta é ampliar a cobertura para locais sem infraestrutura de telecomunicações, como áreas rurais, florestas, estradas e regiões isoladas.

A Starlink pretende desenvolver esse segmento em parceria com operadoras locais, seguindo um modelo que já utiliza nos Estados Unidos e em outros países latino-americanos, como o Chile.

Em entrevista exclusiva, o chefe de operações da Vivo, Alex Salgado, destacou que a conexão via satélite deverá complementar a rede terrestre da empresa.

“Com essa parceria, temos um potencial enorme para complementar o serviço móvel para os clientes onde não temos infraestrutura”, afirmou.

“Nossa cobertura terrestre chega a mais de 98% da população brasileira. Esses menos de 2% que faltam são pessoas espalhadas em um território muito grande, onde o D2D é a tecnologia certa para o atendimento”, completou.

Apesar da ampliação da cobertura, a tecnologia apresenta limitações em comparação com as redes móveis tradicionais.

Como os satélites utilizados ficam a aproximadamente 550 quilômetros de altitude, o sinal percorre uma distância maior, o que afeta a latência e limita a velocidade de conexão.

Por esse motivo, o Vivo Satélite não oferece a mesma experiência de navegação de uma rede 4G ou 5G. O serviço foi desenvolvido principalmente para funções essenciais, como envio de mensagens SMS, compartilhamento de arquivos de áudio, chamadas de voz pelo WhatsApp e utilização do Google Maps e do aplicativo da operadora. Chamadas de vídeo não são suportadas adequadamente.

“Nós estamos fazendo uma comunicação consciente para as pessoas não acharem que o D2D terá a mesma qualidade da internet do 5G. A rede satelital é para uma comunicação essencial nessas áreas mais remotas, onde as pessoas costumavam ficar sem sinal”, ponderou Salgado.

O funcionamento também depende da compatibilidade dos aparelhos. Modelos mais recentes de iPhone e celulares Android receberam atualizações que permitem ajustar automaticamente aplicativos para utilizar a conexão via satélite. Em dispositivos mais antigos, pode ser necessário alterar manualmente algumas configurações.

A parceria utilizará a faixa de frequência de 2,6 GHz da Vivo. O acordo não estabelece exclusividade nem prazo predeterminado, permitindo que as duas companhias firmem contratos com outros parceiros para desenvolver a tecnologia. Os valores e demais condições comerciais foram mantidos em sigilo.

Antes do lançamento oficial, aproximadamente 7 milhões de brasileiros já haviam se conectado ao serviço durante a fase de testes realizada ao longo da semana anterior. O número foi divulgado pelas empresas na data de estreia da oferta comercial.

Sharon Zhang, diretora de política regulatória de satélites da Starlink, divisão da SpaceX, afirmou que a tecnologia pode evitar situações em que usuários ficam impossibilitados de se comunicar por falta de cobertura.

“Isso é enorme. São pessoas que, de outra forma, teriam tido chamadas interrompidas, não teriam conseguido completar, por exemplo, uma mensagem de texto, ou estariam em uma área totalmente sem sinal móvel”, destacou a executiva.

“Essa parceria com a Vivo é a concretização da nossa estratégia de longo prazo para o Starlink Mobile, que é trabalhar com operadoras no mundo todo para oferecer cobertura suplementar, algo extremamente impactante em um mercado como o Brasil”, acrescentou.

A empresa de Elon Musk planeja lançar novas gerações de satélites para aumentar a velocidade de conexão e ampliar os recursos oferecidos pelo serviço móvel.

Em outros mercados, a companhia também investe na aquisição de frequências e no licenciamento de torres, com o objetivo de avançar em sua atuação no setor de telefonia. E mais: Oposição articula candidatura única para barrar reeleição de Alcolumbre no Senado. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: CNN)

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