A federação formada por PSol e Rede ficou a apenas 185 votos de alcançar o percentual necessário para cumprir a cláusula de barreira nas eleições de 2026 pelo critério de distribuição regional.

A aliança atingiu o índice nacional exigido e superou a marca de 1,5% dos votos válidos para deputado federal em oito Estados, mas não chegou ao percentual mínimo em uma nona unidade da Federação.

Pelas regras eleitorais, partidos ou federações precisavam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal em todo o país, desde que esse desempenho fosse alcançado em ao menos nove Estados, com um mínimo de 1,5% em cada um deles. A outra possibilidade era eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em nove Estados.

A estratégia da federação PSol/Rede era cumprir a primeira exigência. O desempenho em São Paulo foi suficiente para garantir a parcela nacional, já que a aliança superou 12% dos votos no Estado. Restava, portanto, alcançar o mínimo de 1,5% em nove Estados.

O índice foi atingido em Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. No Distrito Federal, a federação ultrapassou 14% dos votos.

Para completar a exigência, Espírito Santo, Bahia ou Santa Catarina eram as alternativas. No Espírito Santo, a federação chegou mais perto do objetivo.

Segundo os dados do TSE, PSol/Rede recebeu 31.839 votos no Estado, equivalentes a 1,49% dos votos válidos. Como foram registrados 2.134.985 votos válidos para deputado federal no Espírito Santo, seriam necessários 32.024 votos para atingir os 1,5%. A diferença, portanto, foi de 185 votos.

O resultado, no entanto, ainda pode sofrer alterações caso ocorram decisões da Justiça Eleitoral que anulem candidaturas e, consequentemente, votos considerados válidos. Uma das situações que pode provocar esse tipo de mudança envolve processos relacionados à fraude à cota de gênero, quando candidaturas femininas são utilizadas apenas formalmente para cumprir a exigência legal, sem uma efetiva campanha eleitoral.

Caso parte dos votos seja anulada, o número total de votos válidos no Estado diminui. Com uma base menor para o cálculo, a participação proporcional dos votos recebidos pela federação pode aumentar e, eventualmente, fazer com que o PSol/Rede alcance os 1,5% necessários no Espírito Santo.

Santa Catarina era outra possibilidade para completar a exigência, mas o desempenho ficou ainda mais distante do limite. A federação registrou 0,99% dos votos válidos no Estado.

Na Bahia, o resultado também não foi suficiente: PSol/Rede obteve 1,08%.

Outro dado que chama a atenção é o desempenho da federação no Acre, Estado historicamente associado à trajetória política de Marina Silva, uma das principais figuras da Rede. A legenda sequer apresentou candidato na disputa, enquanto a candidatura mais votada do PSol no Estado recebeu apenas 104 votos.

Assim, a situação da federação ainda pode depender da conclusão de eventuais processos que alterem a quantidade de votos válidos. Sem mudanças na totalização, porém, o PSol/Rede encerrou a eleição com o percentual nacional necessário e oito Estados acima do piso regional, mas sem alcançar a nona unidade exigida pela regra.

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