
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma nova versão de sua questão de ordem sobre os processos relacionados ao Banco Master e defendeu que a Corte identifique todos os magistrados mencionados nas apurações antes de avançar na análise sobre a eventual abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
A proposta também prevê a suspensão do julgamento até que seja definida a composição do colegiado apto a participar das deliberações.
Segundo Gilmar, o levantamento deveria abranger ministros do próprio STF e integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e demais tribunais.
A intenção, segundo o ministro, seria verificar em quais circunstâncias os magistrados aparecem nas investigações e se existem elementos que possam afetar sua participação nos processos.
“Enquanto não se souber quais integrantes desta Corte foram mencionados e em que condição, não se saberá quem pode votar e quem se acha impedido nos feitos correlatos”, afirma.
A proposta também retoma a defesa de que os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça sejam reunidos e posteriormente redistribuídos por sorteio.
Gilmar sustenta ainda que, depois do levantamento dos nomes, o procurador-geral da República e os magistrados mencionados deveriam ter prazo para se manifestar. Para o ministro, a análise não deveria prosseguir enquanto essas providências não fossem concluídas.
“Apuração parcial é apuração viciada, porque o recorte do objeto já constitui, ele próprio, um juízo prévio sobre o que merece e o que não merece ser esclarecido.”
Parte da questão de ordem trata especificamente de Kassio Nunes Marques. Gilmar cita mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico da instituição.
Em uma conversa de outubro de 2024, Rennó informou a Vorcaro o resultado de um julgamento no STF, mencionando Fachin, Toffoli e Kassio de um lado e Gilmar e André Mendonça de outro. Gilmar ressalta, porém, que mensagens entre terceiros, isoladamente, não permitem concluir que tenha ocorrido alguma irregularidade envolvendo os ministros citados.
O documento também contém críticas de Gilmar à condução das investigações por André Mendonça. O ministro afirma que houve tratamento desigual de informações obtidas nas apurações e questiona a concentração de determinados elementos envolvendo Moraes.
Gilmar classificou como “inequívoco viés político-eleitoral” a condução atribuída a Mendonça, uma avaliação do próprio ministro que é contestada e não representa uma conclusão do STF. A crise entre os ministros se intensificou após a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro e de questionamentos sobre a atuação de Mendonça no caso Master.
A discussão sobre a questão de ordem começou em 15 de setembro, quando o plenário analisava a possibilidade de abertura de investigação sobre Moraes.
Gilmar defendeu a tramitação conjunta dos casos de Moraes e Mendonça, mas a proposta encontrou resistência. Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia defenderam a análise separada, enquanto Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin votaram pela reunião dos procedimentos.
O placar ficou em 4 a 3 antes de Flávio Dino pedir vista, suspendendo a discussão. Com isso, a análise sobre os dois casos permanece pendente no STF. (Foto: STF; Fonte: G1)
"AGORA SIM.
É o DINO querendo dar um GOLPE nas eleições para salvar o LULA, e o GILMAR querendo dar um GOLPE no STF para salvar o MORAES.
CABARÉ É APELIDO! PQP… pic.twitter.com/tZd6bKauO7
— Michel c. sales🇧🇷🇮🇱🇺🇸 (@MichelcSales) September 28, 2026
