O jornalista William Waack, da CNN Brasil, fez duras críticas à atuação de Alexandre de Moraes e afirmou que uma decisão tomada pelo magistrado provocou uma crise de grandes proporções dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Waack, Moraes teria levado a Corte a uma situação inédita ao utilizar o chamado inquérito das Fake News para acusar o ministro André Mendonça de crimes. Entre as acusações mencionadas pelo jornalista estão improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade.

O ministro Alexandre de Moraes decretou hoje o fim do Supremo Tribunal Federal, tal como o conhecemos até aqui”, afirmou Waack.

Na avaliação do jornalista, a medida “precipitou uma crise” cujas consequências ainda seriam imprevisíveis. Ele relacionou a gravidade do episódio ao fato de Moraes estar no centro das controvérsias envolvendo as mensagens encontradas pela Polícia Federal em aparelhos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Mendonça é o relator do inquérito que investiga o caso Master. Waack destacou que, conforme informações obtidas pela Polícia Federal a partir dos celulares de Vorcaro, Moraes aparece em conversas que levantaram questionamentos sobre sua relação com o empresário.

“E ele usou um inquérito de contornos de instrumento de exceção, o inquérito da Fake News, para acusar um colega, o ministro André Mendonça, de crimes como improbidade administrativa, responsabilidade e abuso de autoridade”, disse.

Waack também citou o pedido feito por Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, para que sejam tomadas providências em relação a Mendonça. Até o momento, Fachin pediu que as partes envolvidas se manifestem antes de decidir.

O jornalista afirmou ainda que, em sua avaliação, Moraes já teria colocado o Supremo em uma posição de defesa dos interesses pessoais de alguns de seus integrantes.

“Moraes, na prática, já havia arrastado a Suprema-Corte para a posição de agremiação de defesa dos interesses pessoais de alguns de seus integrantes”, declarou.

Para Waack, o novo episódio ampliou uma crise institucional que, segundo ele, não encontra precedente recente na Corte. O jornalista avaliou que o STF terá de lidar com a reação de uma parcela significativa da sociedade às revelações envolvendo o caso Master.

“A Corte terá de optar aos olhos de imensa parcela da sociedade brasileira, se ponim, quem levantou o sigilo de podres expostos pela Polícia Federal, ou se protege quem aparece no meio da podridão de relações promíscuas que ofendem o bom senso e qualquer padrão moral de comportamento de agentes públicos.”

 

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