O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta sexta-feira (22), o julgamento que analisa as prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao antigo Banco Master. O magistrado solicitou vista do processo, mecanismo que concede mais tempo para examinar o caso.

A análise ocorre no plenário virtual da Segunda Turma do STF, colegiado também composto pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques e Dias Toffoli. O julgamento estava previsto para ser concluído na próxima sexta-feira (29), mas agora dependerá da devolução do processo por Gilmar, que tem até 90 dias para apresentar seu voto.

Antes da suspensão, André Mendonça havia votado pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como integrante do esquema investigado na Operação Compliance Zero. Segundo o ministro, o investigado teria adotado estratégias de “dissimulação e ocultação patrimonial” mesmo após o avanço das investigações.

Mendonça também citou a fuga de Felipe durante uma ação da Polícia Federal em Trancoso, na Bahia. Conforme os investigadores, ele deixou o imóvel pouco antes da chegada dos agentes e foi flagrado por câmeras de segurança saindo do local em um carrinho de golfe. A ausência de aparelhos eletrônicos na residência levantou suspeitas de tentativa de eliminação de provas, o que motivou a conversão da prisão temporária em preventiva.

Outro ponto destacado no voto do relator envolve a suposta atuação de Felipe em operações financeiras relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP). A investigação apura pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da negociação envolvendo participação societária na empresa Green Investimentos.

Ao justificar sua decisão, Mendonça afirmou que houve “participação ativa” de Felipe em movimentações consideradas relevantes dentro do esquema investigado. O ministro ainda destacou que, segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava uma ampla rede de empresas e pessoas físicas para ocultar recursos e patrimônios.

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, também é alvo da operação. De acordo com as investigações, ele seria responsável pela articulação financeira do grupo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por acessar ilegalmente informações sigilosas de inquéritos policiais. A Polícia Federal afirma que o contato com agentes ocorria por meio do policial aposentado Marilson Roseno.

Os investigadores ainda atribuem ao grupo práticas de intimidação contra ex-funcionários, concorrentes e jornalistas. Um dos episódios mencionados envolve ameaças direcionadas ao comandante de uma embarcação e a um ex-chefe de cozinha ligado ao banqueiro, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Com a suspensão do julgamento, a definição sobre a manutenção das prisões ficará pendente até que Gilmar Mendes devolva o processo para análise da Segunda Turma do STF. O caso segue sob investigação da Polícia Federal dentro dos desdobramentos da Operação Compliance Zero. E mais: Cármen Lúcia vota para derrubar mudanças na Lei da Ficha Limpa. Clique AQUI para ver. (Foto: STF)

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