O clima entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltou a dar sinais de desgaste nessa quarta-feira (20). O senador não participou da cerimônia realizada no Palácio do Planalto para marcar os 100 dias do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, evento que reuniu representantes dos Três Poderes.

A ausência chamou atenção porque, no lançamento da iniciativa, em fevereiro, os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário estiveram juntos. Desta vez, Alcolumbre foi o único dirigente das cúpulas dos Poderes que não compareceu ao encontro.

Segundo a assessoria do parlamentar, ele tinha um compromisso pessoal previamente agendado. O Senado acabou representado pelo segundo vice-presidente da Casa, Humberto Costa (PT-PE). Também participaram da cerimônia o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, além de ministros e autoridades do governo.

Nos bastidores do Planalto, a ausência foi interpretada como mais um indicativo do distanciamento político entre Lula e Alcolumbre. Na semana passada, o senador já havia deixado de comparecer a outro evento promovido pelo governo federal, relacionado ao combate ao crime organizado.

A relação entre os dois líderes se deteriorou após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. Integrantes do governo atribuem a Alcolumbre influência decisiva no resultado da votação, considerada histórica por ter sido a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em mais de um século.

Aliados do presidente do Senado afirmam que ele defendia o nome do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para ocupar a cadeira aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Ainda assim, Lula optou por indicar Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).

Reservadamente, parlamentares afirmam que a resistência ao nome de Messias vinha sendo construída havia meses dentro do Senado. Relatos de bastidores apontam que Alcolumbre atuou pessoalmente junto a colegas contra a aprovação do indicado.

Mesmo após a derrota, Lula segue demonstrando disposição para insistir no nome de Jorge Messias. Porém, regras internas do Senado impedem que uma indicação rejeitada volte à análise da Casa no mesmo ano, o que aumentou a tensão política entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso.

Apesar das tentativas de amenizar o clima, interlocutores do governo e do Senado admitem que ainda não há sinais claros de reaproximação entre Lula e Alcolumbre. Nos últimos encontros públicos, os dois mantiveram apenas interações protocolares e evitaram demonstrações de proximidade.

Enquanto aliados trabalham nos bastidores para reconstruir a relação institucional entre o Planalto e o Senado, a sequência de episódios recentes mostra que o ambiente político entre Lula e Alcolumbre segue marcado por desconfiança e tensão. A condução das próximas votações no Congresso deve servir como novo termômetro para medir o tamanho desse desgaste. E mais: Michelle chama Moraes de ‘irmão em Cristo’. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC / Palácio)

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