
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) deu mais um passo no processo de reorganização financeira ao firmar um acordo com credores para renegociar cerca de R$ 4,57 bilhões em dívidas. A empresa informou que a nova versão do plano de recuperação extrajudicial já conta com adesão suficiente para avançar judicialmente.
De acordo com a companhia, os credores que aprovaram a proposta representam 57,49% dos débitos incluídos no processo, percentual acima do mínimo previsto pela legislação. Na versão inicial do plano, apresentada em março, o índice de adesão era menor.
A proposta prevê medidas para aliviar a pressão financeira sobre o grupo nos próximos anos. Entre elas estão a reestruturação de debêntures conversíveis, avaliadas em até R$ 1,1 bilhão, além da possibilidade de um novo financiamento de até R$ 200 milhões.
Em comunicado, o GPA afirmou que a estratégia busca adequar sua estrutura financeira à atual capacidade de geração de caixa da empresa. “Como resultado dessas medidas, o plano de recuperação extrajudicial proporcionará liquidez relevante e reduzirá em mais de R$4 bilhões os desembolsos a serem realizados pela companhia nos próximos dois anos, aliviando o fluxo de caixa no período”, declarou o grupo.
A empresa também destacou que o acordo pretende criar condições para a continuidade das operações no longo prazo. “O plano firmado nesta data permitirá uma solução estruturada para os desafios financeiros da companhia, ao tratar ao mesmo tempo da liquidez no curto prazo e da sustentabilidade financeira no longo prazo.”
O pedido de homologação do plano tramita desde março na Justiça de São Paulo. Na ocasião, foi determinada a suspensão, por 180 dias, das cobranças judiciais ligadas aos créditos envolvidos na recuperação extrajudicial.
Dona de marcas como Pão de Açúcar, Extra Mercado, Minuto Pão de Açúcar e Minimercado Extra, a companhia possui 728 lojas e 37 mil empregados no país e afirma atender milhões de consumidores mensalmente. O GPA também reforçou que segue mantendo pagamentos regulares a fornecedores e prestadores de serviço.
A varejista enfrenta dificuldades financeiras desde 2022, em um cenário marcado pela queda do consumo, inflação elevada e juros altos, fatores que ampliaram os custos da operação e pressionaram o endividamento. Nos últimos anos, o grupo também acumulou despesas relacionadas a fechamento de unidades, mudanças administrativas e obrigações fiscais e trabalhistas.
Mesmo após iniciativas para reduzir despesas e reforçar o caixa, a companhia continuou registrando prejuízos, o que levou à adoção do plano de recuperação extrajudicial como tentativa de reorganizar suas finanças.
Com a nova adesão dos credores, o GPA tenta estabilizar sua situação financeira e ganhar tempo para implementar medidas de recuperação, enquanto busca preservar as operações e recuperar a confiança do mercado. E mais: Saint-Gobain vende Telhanorte e deixa setor de distribuição no Brasil. Clique AQUI para ver. (Foto: Divulgação)
